A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu nesta terça-feira (18) tornar réu o deputado federal Gilvan da Federal (PL-ES) pela prática do crime de injúria contra o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva. O colegiado seguiu o voto da relatora e aceitou integralmente a denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR).
O caso ocorreu em abril do ano passado, durante uma sessão da Comissão de Segurança Pública da Câmara dos Deputados, ocasião em que o parlamentar proferiu xingamentos e desejou a morte do chefe do Executivo. Na sequência, o conteúdo do discurso foi amplamente divulgado pelo próprio deputado em suas redes sociais.
Durante o julgamento, os ministros ressaltaram que a prerrogativa constitucional da imunidade parlamentar possui limites bem definidos e não pode ser invocada para justificar crimes contra a honra. A ministra relatora, Cármen Lúcia, destacou em seu voto que as manifestações do deputado configuraram excessos totalmente desvinculados da atividade legislativa.
Foram excessos que teriam levado a ofensas diretas, alheias ao exercício do mandato e reproduzidas pelas redes sociais, pontuou a ministra.
O ministro Alexandre de Moraes acompanhou o entendimento e enfatizou que ataques verbais praticados por parlamentares vêm se tornando recorrentes. Segundo Moraes, a garantia constitucional existe para viabilizar o debate de ideias e a fiscalização de poderes, e não para acobertar agressões pessoais.
Por sua vez, o ministro Flávio Dino reforçou que a imunidade de parlamentares não possui caráter absoluto. O ministro Cristiano Zanin declarou-se impedido de participar do julgamento em razão de sua atuação prévia como advogado de defesa do presidente Lula antes de sua indicação ao STF.
Durante o trâmite processual, a defesa de Gilvan da Federal argumentou pela rejeição e arquivamento da denúncia, sustentando que os pronunciamentos estariam integralmente protegidos pelas prerrogativas do mandato. Com a decisão unânime da Primeira Turma, a ação penal terá seguimento regular na Corte.
Perguntas Frequentes (FAQ)
Por que o deputado Gilvan da Federal foi tornado réu pelo STF?
O parlamentar virou réu após a Primeira Turma do STF aceitar, por unanimidade, denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) por crime de injúria contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, devido a declarações e xingamentos proferidos em comissão da Câmara e divulgados nas redes sociais.
Qual foi o posicionamento do STF sobre a imunidade parlamentar neste caso?
Os ministros entenderam que a imunidade parlamentar não é absoluta e não pode ser utilizada como escudo para cometer ofensas, injúrias ou agressões pessoais que fujam do estrito exercício da atividade legislativa e da fiscalização dos poderes.
O ministro Cristiano Zanin participou da votação?
Não. O ministro Cristiano Zanin declarou-se impedido de atuar no julgamento porque atuou como advogado de Lula antes de assumir sua cadeira no Supremo Tribunal Federal.
Com informações de Andre Richter – Repórter da Agência Brasil
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Fonte: News Rondônia