Se Liga Rondônia
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COLUNA DO XAVIER – CACOAL: AS CAMPANHAS, OS CANDIDATOS E A FESTA DA DEMOCRACIA…

Por Francisco Xavier Gomes

CACOAL: AS CAMPANHAS, OS CANDIDATOS E A FESTA DA DEMOCRACIA…
O domingo, 16 de agosto, marcou o dia oficial do início das campanhas eleitorais de 2026. A partir de agora, todos os candidatos que desejam as vagas em disputa estarão nas ruas pedindo votos da população. Neste caso, caberá à população rondoniense fazer as escolhas que considera as melhores para conduzir os destinos da nação e, particularmente de nosso estado, levando em consideração todos os problemas que necessitam de soluções a curto, médio ou longo prazo. Claro que essas escolhas, muitas vezes, não representam a eleição de pessoas realmente comprometidas com os rondonienses, mesmo porque grande parte de nossa gente não costuma acompanhar a trajetória dos candidatos, fato que possibilita a vitória de políticos sem nenhum compromisso com as verdadeiras demandas sociais, econômicas e políticas do estado. Todavia, o ato de votar, além de ser uma forma de exercer a cidadania, expressa a vontade do eleitor e não há como brigar, quando as pessoas fazem escolhas pessoais livremente. No caso de Rondônia, há uns 15 ou 20 anos, muitos eleitores resolveram embarcar no delírio que levou nosso estado a fazer diversas escolhas políticas equivocadas. Assim como o eleitor é livre para votar, os partidos são livres para escolher seus candidatos, mas o eleitor precisa eleger alguns critérios para eleger os mandatários…
O eleitor brasileiro tem a mania de votar em determinados políticos e, depois, dizer que votou porque não tinha opções, o que não faz nenhum sentido. Para as eleições de 2026, há 10 candidatos à presidência da república. No âmbito estadual, temos 6 candidaturas ao governo do estado; 10 candidaturas ao Senado Federal; 120 candidaturas à Câmara dos Deputados e 241 candidaturas à Assembleia Legislativa de Rondônia. Não é possível que o eleitor não tenha opções entre tantos nomes! Também não dá para aceitar o argumento de que não conhece os candidatos, porque muitos desses políticos que hoje disputam as eleições já são velhos conhecidos do eleitorado rondoniense. Quanto aos que entram na disputa pela primeira vez, todos são conhecidos em seus redutos e possuem redes sociais, nas quais manifestam suas opiniões sobre diversos temas que estão relacionados com a vida política e social do estado. O eleitor que tem interesse pode, sim, conhecer o perfil dos candidatos ou candidatas, porque eles não surgiram na discussão política essa semana; estão há meses dizendo que desejam ser candidatos. Muitos que hoje disputam eleições já ocuparam mandatos municipais ou participaram de disputas eleitorais em seus municípios. É possível conhecer o caráter de todos? Claro que não, mesmo porque todos os candidatos e candidatas fazem longos e emocionantes discursos, dizendo que querem defender os interesses da sociedade. Mesmo assim, comprar gatos por lebres é uma escolha do eleitor…
Entre todos os nomes que pediram o registro de candidatura, existem pessoas conhecidas pelas lutas em defesa de pautas do estado; também existem aqueles que possuem conduta ilibada; existem os que já foram envolvidos em escândalos; existem os que usam a bíblia para enganar incautos; existem os que dizem ser escolhidos por Deus; existem os que são candidatos para representar suas famílias; existem os trambiqueiros; estelionatários eleitorais; os hipócritas; os que fazem somente barulho; os que são candidatos para substituir parentes inelegíveis… E todos eles existem por uma razão muito simples: porque a sociedade também é constituída de pessoas com estes perfis. O eleitor, por uma questão de osmose, tende a votar em candidatos ou candidatas que possuem o perfil de quem vota. Por causa desse fenômeno inevitável, a bancada federal terá a cara do rondoniense; a Assembleia Legislativa terá a cara do rondoniense; os senadores ou senadoras terão a cara do rondoniense; e o governador eleito será a expressão do eleitor nas urnas. E não dá para imaginar que os candidatos ou candidatas trazem a essência da candura romana, porque isso seria pura inocência. O termo candidato surge na Roma Antiga, quando somente pessoas que eram consideradas cândidas disputam eleições. E mesmo a candura romana é muito relativa, porque muitos dos romanos se revelavam grandes picaretas, após a eleição…
Embora haja uma forte disposição do eleitor em não acreditar muito no produto das urnas, todos os eleitores de Rondônia precisam exercer o direito do sufrágio. Nosso estado não pode seguir com a tradição de altos índices de abstenção, porque isso não resolve nossos problemas. É muito importante participar do processo de escolha, ainda que haja reclamações futuras. Já está muito claro para todos nós que as abstenções em eleições passadas não deram bons resultados. É lamentável que 20 ou 25% de eleitores deixem de votar em cada eleição. O direito de não votar é legítimo, mas igualmente incompatível com as mudanças que nosso estado precisa. Nós temos o dever de zelar pelos fundamentos da democracia, e votar é um ato muito importante em defesa da democracia. A omissão do eleitor tem graves consequências sociais, econômicas e políticas. Se hoje temos uma bancada federal ruim, isso é consequência da nossa omissão; se temos uma Assembleia Legislativa ruim, é porque nos omitimos nas últimas eleições; se nossos senadores são fracos, eles foram eleitos democraticamente; se temos um governo estadual ruim, esse governo é fruto de uma escolha democrática. A democracia nunca foi, e jamais será, sinônimo de perfeição…
Dito isto, chegamos a um momento muito importante do processo eleitoral: a análise de todos os nomes colocados à disposição da sociedade. Esta análise não pode sofrer imposições de qualquer natureza. Nós precisamos pensar nas futuras gerações, nos destinos econômicos do estado, na proteção da sociedade… E tudo isto se faz com o voto, com o voto democrático, livre, calculado. Qualquer que seja o nome escolhido, estaremos exercendo uma escolha que contribui de forma sólida para consolidar a democracia. A outra opção é fingir rebeldia, não votar e deixar que sejam eleitos os candidatos que o eleitor não deseja, pela omissão e pela simples vontade de contrariar a democracia tão sonhada… Tenho dito!!!

FRANCISCO XAVIER GOMES
Professor, Jornalista e Advogado


Fonte: Tribuna Popular

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