A candidata ao Senado pelo PSB em Rondônia, Neidinha Suruí, afirmou nesta sexta-feira (14) que não pretende desistir da candidatura e denunciou o que classifica como violência política. Segundo ela, teria ocorrido uma articulação para pressionar integrantes da chapa majoritária do partido a retirar suas candidaturas.
A denúncia envolve também o candidato ao governo de Rondônia pelo PSB, Samuel Costa. Neidinha afirma que pretende recorrer às autoridades caso as pressões continuem e cita a possibilidade de encaminhar o caso à Polícia Federal e à Justiça Eleitoral.
A alegação ocorre em meio às articulações políticas que antecedem a eleição estadual. Até o momento, as acusações apresentadas por Neidinha e seus aliados dependem de apuração e comprovação pelas autoridades competentes.
Neidinha afirma que não vai desistir
Neidinha Suruí declarou que não abrirá mão da candidatura ao Senado e contestou qualquer tentativa de alterar a composição da chapa após a convenção partidária.
“Sou uma mulher de garra, vim do seringal, fiz mestrado e doutorado. Tenho uma vida dedicada a enfrentar tiranos, vassalos, torturadores e ditadores. Não será um mini-projeto de ditadorzinho que vai fazer eu abrir mão das minhas convicções”, afirmou.
A candidata disse que considera a pressão uma questão que ultrapassa a disputa interna do partido e envolve o direito de mulheres participarem da política.
“Se for para ir para o enfrentamento, vamos enfrentar os abusos, pois violência política é prevista como crime, e iremos representar na Polícia Federal e na Justiça Eleitoral para que tomem as medidas que o caso requer”, declarou.
Neidinha também afirmou que pretende defender a candidatura até o fim e que não aceitará, segundo suas palavras, práticas relacionadas ao sexismo, ao machismo estrutural e à violência política.
Chapa do PSB foi aprovada em convenção
Segundo as informações apresentadas pela candidata e seus aliados, a chapa do PSB em Rondônia foi aprovada durante convenção partidária, com Samuel Costa como candidato ao governo e Neidinha Suruí ao Senado.
Os registros das candidaturas também foram realizados, conforme relatado pela chapa.
Ainda de acordo com a denúncia, na tarde de 14 de agosto, um representante da direção nacional do PSB teria participado de uma videoconferência com três candidatos do partido a deputado federal.
A alegação é de que os participantes teriam sido pressionados a convencer Samuel Costa e Neidinha Suruí a desistirem das candidaturas para permitir uma nova composição eleitoral.
A informação, entretanto, é apresentada como denúncia pelos integrantes da chapa e não como fato já comprovado por investigação oficial.
Denúncia cita articulações políticas
A movimentação também foi relacionada, pelos denunciantes, ao candidato ao governo pelo PT, Expedito Netto. Não há, no material apresentado, comprovação de responsabilidade pessoal ou partidária dele sobre a suposta articulação.
A denúncia também menciona Expedito Júnior (PSD), pai de Expedito Netto, apontado pelos denunciantes como coordenador da campanha de Adailton Fúria, candidato ao governo de Rondônia pelo PSD.
As relações políticas citadas fazem parte das acusações apresentadas por Neidinha e seus aliados. Eventuais responsabilidades individuais ou partidárias dependem de apuração pelos órgãos competentes.
O episódio ocorre em um cenário de disputa entre diferentes grupos políticos que buscam formar alianças e consolidar candidaturas para a eleição estadual.
O que diz a legislação sobre violência política contra mulheres
A legislação eleitoral brasileira prevê punição para determinadas condutas de violência política contra mulheres.
O artigo 326-B do Código Eleitoral estabelece como crime eleitoral determinadas práticas de assédio, constrangimento, humilhação, perseguição ou ameaça contra candidata ou detentora de mandato, quando realizadas com menosprezo ou discriminação à condição de mulher e com a finalidade de impedir ou dificultar sua campanha ou atuação política.
A caracterização do crime, porém, depende da análise concreta dos fatos e da comprovação dos requisitos previstos na legislação.
No caso de Neidinha, eventual representação à Polícia Federal ou à Justiça Eleitoral poderá levar as autoridades a avaliar as circunstâncias e verificar se houve irregularidade eleitoral ou violência política.
Samuel Costa também afirma que manterá candidatura
O candidato ao governo de Rondônia pelo PSB, Samuel Costa, também declarou que não pretende retirar sua candidatura. Segundo a posição apresentada pela chapa, qualquer tentativa de alterar a composição eleitoral após as decisões tomadas em convenção deverá ser discutida pelos meios políticos e jurídicos previstos.
O caso deverá ser acompanhado pelas instâncias do PSB e, caso as denúncias sejam formalizadas, pelas autoridades responsáveis pela análise de eventuais irregularidades.
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Fonte: News Rondônia