A deputada federal Cristiane Lopes (Podemos-RO) destinou R$ 100 mil, por meio de emenda parlamentar, para ações relacionadas ao manejo sustentável de jacarés na Reserva Extrativista (Resex) Lago do Cuniã, em Porto Velho. Segundo a parlamentar, o recurso busca contribuir para a retomada da estrutura de beneficiamento e ampliar as oportunidades de renda para as comunidades do Baixo Madeira.
O recurso já consta em execução no município de Porto Velho. Dados do Portal da Transparência da Prefeitura identificam R$ 100 mil do repasse como destinados ao manejo de jacarés na Reserva do Cuniã.
A iniciativa está relacionada à recuperação da estrutura utilizada no manejo dos animais. De acordo com Cristiane Lopes, o frigorífico da comunidade estava paralisado quando ela conheceu a realidade local e ouviu as demandas dos moradores.
“Assim que conheci o Lago do Cuniã, fiquei encantada. É um lugar muito bonito, um verdadeiro refúgio que precisa ser mais valorizado e visitado. Quando me solicitaram uma emenda para reativar o frigorífico e retomar o manejo do jacaré, não pensei duas vezes”, afirmou a deputada.
Manejo de jacarés gera alternativa de renda
A Reserva Extrativista Lago do Cuniã fica no município de Porto Velho, na região do Baixo Madeira, e possui uma cadeia produtiva relacionada ao manejo de jacarés. O trabalho é acompanhado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), responsável pela gestão da unidade de conservação e pelas autorizações relacionadas ao manejo.
Estudos sobre a atividade apontam que o manejo sustentável pode contribuir tanto para a conservação quanto para a geração de renda das comunidades extrativistas. O trabalho envolve monitoramento das populações de jacarés, definição de cotas e procedimentos específicos para captura e beneficiamento.
A estrutura existente no Cuniã já foi utilizada para as diferentes etapas da cadeia produtiva, incluindo abate, processamento da carne e aproveitamento do couro. A experiência também é considerada uma iniciativa de uso sustentável da biodiversidade amazônica.
Para Cristiane Lopes, o investimento pode ajudar a transformar uma demanda da comunidade em uma atividade econômica associada à preservação ambiental.
“Eu fico muito feliz de ter essa marca e essa história nesse trabalho que está sendo desenvolvido hoje. É um projeto que une preservação ambiental com desenvolvimento econômico e social. Esse é o tripé da sustentabilidade que queremos para Rondônia”, declarou.
Estrutura passa por adequações
Conforme informado pela parlamentar, os recursos possibilitaram adequações na estrutura do abatedouro. O espaço passa pelas etapas necessárias de inspeção e enquadramento sanitário e ambiental para o avanço da atividade.
A retomada do manejo depende, portanto, do cumprimento das exigências dos órgãos responsáveis. O histórico da atividade na reserva mostra que as etapas de captura, abate e beneficiamento precisam seguir critérios técnicos e autorizações específicas.
O Plano de Manejo da Resex Lago do Cuniã estabelece o aperfeiçoamento do manejo de jacarés como uma das estratégias de conservação e uso sustentável da unidade.
Em 2025, por exemplo, a Prefeitura de Porto Velho informou a realização de um abate-teste autorizado pelo ICMBio, com cinco jacarés machos destinados exclusivamente à exposição e degustação durante a Agrotec, sem autorização para comercialização.
Comunidade busca diversificar fontes de renda
A atividade de manejo do jacaré se soma a outras formas de sustento das famílias da Resex, como pesca, extrativismo, agricultura e produção de farinha.
Estudo publicado em 2024 sobre a cadeia produtiva do manejo na reserva apontou que a atividade pode funcionar como fonte complementar de renda para as famílias extrativistas e fortalecer o empreendedorismo coletivo por meio da cooperativa local.
Além da carne, o couro é um dos produtos aproveitados na cadeia produtiva. A comercialização, entretanto, depende do cumprimento das normas ambientais e sanitárias aplicáveis à atividade.
Com a destinação dos R$ 100 mil, a expectativa é contribuir para a recuperação da estrutura e para a continuidade das etapas necessárias à retomada do manejo sustentável na comunidade.
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Fonte: News Rondônia