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COLUNA DO XAVIER – CACOAL: A EDUCAÇÃO, AS AVALIAÇÕES EXTERNAS E A SOCIOLOGIA…

Por Francisco Xavier Gomes

CACOAL: A EDUCAÇÃO, AS AVALIAÇÕES EXTERNAS E A SOCIOLOGIA…
A estrutura da educação brasileira enfrenta desafios que se tornam muito maiores, a cada dia, e que desestimulam inúmeras pessoas a entrarem para a carreira do magistério. No caso de Rondônia, a realidade não é diferente e os desafios são gigantescos, principalmente pela indiscutível ausência da maioria das famílias na educação dos filhos. Mas há um fenômeno um tanto quanto curioso, porque sempre que são divulgados os resultados das avaliações externas realizadas pelo Ministério da Educação ou mesmo pela Secretaria de Estado da Educação, abre-se uma discussão, e os professores são colocados como os eventuais culpados, quando os números estatísticos desagradam os burocratas. Em algumas ocasiões, os professores, coordenadores pedagógicos ou diretores são convocados para encontros que tratam de tudo, menos da realidade. Na agenda dessas discussões, estão sempre os descritores da Língua Portuguesa e Matemática, como se eles fossem os obstáculos, os grandes vilões, e como se os professores não trabalhassem de modo satisfatório, a ponto de fazer os alunos compreenderem os conteúdos e a maneira de resolver. A educação brasileira seria um paraíso, se o problema estivesse nos descritores…
Poucos dias atrás, houve um desses encontros em Cacoal, quando discutíamos sobre os resultados de uma das avaliações externas. Como sempre, mais uma vez, estavam em discussão os descritores de Matemática e Língua Portuguesa. Os coordenadores, tutores e outras pessoas envolvidas nesses eventos são sempre muito simpáticos e tratam os professores participantes com muito carinho, exatamente por eles sabem que a vida dentro de uma escola não é nada fácil. Aliás, uma das frases mais conhecidas nesses encontros, e que parte dos tutores, é: “Nós sabemos que vocês já fazem isso!” Essa frase é muito reveladora, porque, de fato, todas as pessoas que atuam nas Superintendências Regionais de Ensino no estado sabem muito bem que os professores, coordenadores pedagógicos e diretores de escolas tratam com muita seriedade essas avaliações externas. Fazemos de tudo! Há inúmeros casos em que os coordenadores pedagógicos, orientadores e diretores saem da escola e vão até a casa dos alunos, no dia dessas provas, para acordar os alunos e trazer para a escola. E isto não é um caso raro; é muito comum. Durante meses, os professores de Língua Portuguesa e Matemática fazem dezenas de testes simulados voltados para a preparação dos alunos, em função das avaliações externas. E todo mundo que trabalha nas Superintendências Regionais de Ensino e nas escolas sabe disso…
Então, por que acontecem os dados que muitas vezes não agradam? É lógico que tem uma resposta e a resposta é muito simples. A resposta, aliás, não possui nenhuma relação com os descritores, com eventuais falhas de professores ou por descaso das escolas… O problema é a Sociologia! O que acontece? Todos os alunos que possuem dados estatísticos abaixo do esperado são filhos de pessoas completamente ausentes da escola e da vida escolar de seus filhos. Esses alunos são filhos de pessoas que jamais cobram dos filhos as atividades escolares, nunca abrem o caderno dos filhos, não conhecem os professores, nunca participaram de uma reunião na escola, nem mesmo para pegar os boletins e, quando vão à escola, vão sempre para brigar com os professores e colocar a culpa na escola. Os estudantes com baixos rendimentos são aqueles que os pais dão de presente o cigarro eletrônico; são aqueles que brigam todos os dias na escola; são aqueles que xingam e agridem os professores todos os dias; são aqueles que passam o dia inteiro atrapalhando todas as aulas… E, quando acontecem essas avaliações externas, esses alunos são sempre os primeiros que entregam as provas, porque eles simplesmente não leem nada do que vem escrito. Muitos deles marcam as respostas nos gabaritos, sem sequer abrir a prova. Mas as autoridades da SEDUC e do Ministério da Educação acreditam cegamente que o problema está nos descritores. Nunca esteve! O problema é a Sociologia…
Como é um problema de Sociologia, não existe a menor possibilidade de corrigir com o treinamento dos descritores. Somente os burocratas muito inocentes acreditam que seja possível. A SEDUC, lógico, finge que não sabe onde está o problema, mas é algo visível e muito evidente. Basta observar que todos os alunos que são classificados em nível alto, médio ou suficiente são filhos de pais presentes na vida escolar do aluno. E quando foi que a SEDUC fez campanhas institucionais, cobrando dos pais a presença na vida escolar de seus filhos? Nunca! Quando foi que o Ministério Público de Rondônia fez campanhas institucionais, cobrando a presença dos pais nas escolas? Jamais! Embora haja previsão legal de penalidades para os pais que não cuidam dos filhos, quando foi que alguma penalidade foi aplicada em Rondônia? Ninguém sabe responder! Então, além de ser um fenômeno sociológico, é um fenômeno institucional. É muito mais fácil sugerir que os professores não trabalharam corretamente os descritores, claro, porque os professores não têm interesse em brigar com ninguém. Muitos professores nem possuem estrutura psicológica para brigas dessa natureza, porque isso gera desgaste e fadiga. E o grande problema é que esse fenômeno sociológico e institucional é crescente…
Em uma análise mais criteriosa e menos burocrática, é possível afirmar, sem medo de errar, que os resultados obtidos têm sido fantásticos, apesar de tudo, e que os professores fazem verdadeiros milagres, porque existem alunos que, mesmo abandonados pelas famílias, ainda alcançam bons índices. No dia em que a SEDUC descobrir que os descritores não representam o problema, e que a questão é meramente sociológica, não resta nenhuma dúvida de que nosso estado vai atingir patamares bem melhores em todas as avaliações externas. Por outro lado, enquanto perdurar a ilusão de que o problema reside nos descritores, os professores serão os únicos “culpados” pelos baixos índices… Tenho dito!!!

FRANCISCO XAVIER GOMES
Professor, Jornalista e Advogado


Fonte: Tribuna Popular

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