O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou nesta quinta-feira (30) a Polícia Federal a abrir um inquérito para investigar Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A PF aponta indícios de corrupção e tráfico de influência.
A investigação apura se Lulinha atuou de forma irregular junto ao Ministério da Saúde e ao gabinete da Presidência da República para favorecer a liberação e a comercialização de canabidiol medicinal em programas do governo federal. O pedido foi enviado ao STF pela PF na sexta-feira (24) e distribuído a Mendonça na quarta-feira (29).
Foto: Marcelo Camargo/ABr
Segundo os investigadores, Lulinha atuou no setor em parceria com a empresária Roberta Luchsinger e com o lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS. A PF identificou pagamentos do lobista à RL Consultoria, empresa de Luchsinger, e busca esclarecer se houve repasses a agentes públicos com participação irregular do filho do presidente.
O inquérito é autônomo em relação à investigação sobre fraudes em descontos associativos do INSS, na qual Lulinha já era citado. Mendonça havia autorizado, em janeiro deste ano, a quebra dos sigilos fiscal, bancário e telemático de Lulinha, mas no âmbito daquele processo. O novo pedido também prevê o compartilhamento de provas obtidas na Operação Sem Desconto, que apura os desvios no INSS.
O advogado de Lulinha, Marco Aurélio de Carvalho, afirmou que a defesa recebeu a decisão com “absoluta tranquilidade” e disse não haver elementos que justifiquem a abertura do novo inquérito. Segundo ele, “não faz o menor sentido reabrir uma investigação envolvendo o filho do presidente da República” às vésperas do início do processo eleitoral.
As defesas de Roberta Luchsinger e de Antonio Carlos Camilo Antunes disseram não ter conhecimento sobre o pedido da PF e não se manifestaram sobre o mérito das acusações. O Palácio do Planalto não comentou o caso até a publicação deste texto.
Fonte: Conexão Política