Uma importante atualização nas diretrizes internacionais para a síndrome do ovário policístico (SOP) começou a ser implementada em maio deste ano. A condição passa a ser denominada Síndrome Ovariana Metabólica Poliendócrina (Somp), uma mudança que busca refletir de forma mais precisa a complexidade da doença e reduzir equívocos comuns entre pacientes e profissionais de saúde.
A transição será gradual e deverá ser concluída na atualização internacional prevista para 2028. Segundo especialistas, a nova nomenclatura evidencia que a condição vai além da presença de cistos nos ovários, envolvendo alterações hormonais, metabólicas, reprodutivas e psicológicas.
Novo nome busca corrigir interpretações equivocadas
De acordo com a endocrinologista Renata Bussuan, coordenadora do curso de pós-graduação da Afya Educação Médica, a antiga nomenclatura frequentemente gerava interpretações incorretas.
Muitas pacientes acreditavam que não poderiam ter a síndrome por não apresentarem cistos no ultrassom. Em outros casos, mulheres com ovários de aspecto policístico recebiam o laudo do exame e concluíam, de forma equivocada, que tinham a doença.
“Essa confusão era muito frequente. Muitas pacientes chegavam ao consultório dizendo: ‘mas meu ultrassom não mostrou cistos, então eu não posso ter a síndrome’. Outras recebiam um laudo descrevendo ‘ovários policísticos’ e concluíam automaticamente que tinham a doença, mesmo sem alterações menstruais ou hormonais“, explica a médica.
Segundo a especialista, uma mulher pode apresentar a síndrome sem alterações no exame de imagem, enquanto outra pode ter ovários policísticos sem preencher os critérios clínicos para o diagnóstico.
Doença envolve muito mais do que os ovários
A nova denominação reforça que se trata de uma condição sistêmica, envolvendo diferentes hormônios e alterações metabólicas.
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Ao incluir os termos “metabólica” e “poliendócrina”, a proposta é estimular uma investigação clínica mais ampla, deixando de concentrar o diagnóstico apenas no resultado do ultrassom.
Entre os aspectos que passam a receber maior atenção estão:
irregularidade menstrual;
ausência ou redução da ovulação;
acne persistente;
aumento de pelos;
queda de cabelo de padrão feminino;
alterações metabólicas;
histórico familiar;
risco aumentado para diabetes tipo 2.
Impactos na saúde da mulher
Segundo Renata Bussuan, a síndrome pode repercutir em diferentes aspectos da saúde ao longo da vida.
Entre eles estão:
ciclos menstruais;
fertilidade;
pele e cabelos;
peso corporal;
distribuição da gordura;
metabolismo da glicose;
colesterol e triglicerídeos;
pressão arterial;
qualidade do sono;
saúde emocional;
risco de diabetes tipo 2;
saúde do endométrio.
“O novo nome reforça que a mulher precisa ser acompanhada ao longo da vida, mesmo quando não está tentando engravidar. O tratamento não deve começar apenas quando surge o desejo de gestação e nem terminar depois que a paciente engravida“, destaca.
Atenção aos primeiros sinais
A especialista alerta que a síndrome costuma surgir ainda na adolescência, período em que muitos sintomas podem ser confundidos com alterações naturais da puberdade.
Entre os principais sinais de alerta estão:
menstruações muito espaçadas ou ausência de menstruação;
ciclos irregulares após os primeiros anos da menarca;
acne intensa;
ganho de peso;
escurecimento e espessamento da pele;
aumento excessivo de pelos.
A orientação é procurar avaliação médica sempre que esses sintomas persistirem.
Tratamento deve ser multidisciplinar
O acompanhamento da Síndrome Ovariana Metabólica Poliendócrina envolve diferentes especialidades médicas.
Além do ginecologista, podem participar do tratamento endocrinologista, nutricionista, psicólogo, dermatologista e profissional de educação física, conforme as necessidades de cada paciente.
Segundo Renata Bussuan, o especialista responsável pela condução inicial depende da principal queixa apresentada.
Pacientes que buscam tratamento para infertilidade costumam iniciar o acompanhamento com ginecologistas ou especialistas em reprodução humana. Já aquelas com obesidade, pré-diabetes ou alterações metabólicas frequentemente começam o tratamento com endocrinologistas.
A médica reforça que o trabalho integrado da equipe é fundamental e destaca que a síndrome possui componentes genéticos, hormonais e metabólicos, não sendo consequência de falta de disciplina ou força de vontade da paciente.
FAQ
O que mudou na síndrome do ovário policístico?
A condição passou a adotar a denominação Síndrome Ovariana Metabólica Poliendócrina (Somp), refletindo melhor suas características clínicas e metabólicas.
Quando a mudança será totalmente implementada?
A transição começou em maio deste ano e a implementação completa está prevista para a atualização internacional de 2028.
Por que o nome foi alterado?
Porque muitas pacientes acreditavam que somente quem apresentava cistos nos ovários poderia ter a síndrome. O novo nome amplia a compreensão da doença e reduz interpretações equivocadas.
Quais são os principais sintomas?
Irregularidade menstrual, ausência de ovulação, acne intensa, aumento de pelos, ganho de peso, queda de cabelo, alterações metabólicas e dificuldade para engravidar podem estar entre os sinais.
Quem deve participar do tratamento?
O acompanhamento pode envolver ginecologista, endocrinologista, nutricionista, psicólogo, dermatologista e profissional de educação física, conforme o quadro clínico da paciente.
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Fonte: News Rondônia