Se Liga Rondônia
Se Liga Rondônia

Coluna ESPAÇO ABERTO – A culpa é da roupa? O perigoso recado por trás de uma decisão judicial

Confira as notícias do dia, por Cícero Moura.

ALERTA
Há decisões judiciais que resolvem conflitos. Outras, porém, acabam criando um problema ainda maior do que aquele que pretendiam combater.
Foto: Reprodução / Redes Sociais
ALERTA 2
A determinação que proibiu o uso de calças legging por frentistas mulheres, sob o argumento de que a vestimenta as expõe ao assédio sexual, merece uma reflexão profunda.
Foto: Reprodução / Redes Sociais
 
ALERTA 3
Não porque empresas não possam estabelecer uniformes — podem e devem fazê-lo, inclusive por razões técnicas, de segurança ou padronização. O ponto controverso está na justificativa escolhida.
ALERTA 4
Ao afirmar que determinada roupa torna a trabalhadora mais vulnerável ao assédio, ainda que a intenção seja protegê-la, o recado transmitido à sociedade é extremamente perigoso.
ALERTA 5
A mensagem que fica é a de que existe uma relação entre a roupa da mulher e a conduta do assediador.
ABSURDO
Esse é justamente o discurso que durante décadas serviu de escudo para criminosos. “Ela estava provocando.” “Usava roupa justa.” “Pediu por isso.”
Foto: Reprodução / Unsplash
 
ABSURDO 2
São frases que deveriam estar definitivamente enterradas, não ressuscitadas, ainda que de forma indireta, por uma decisão judicial.
ABUSADO
O assédio nunca começa na roupa. Começa na cabeça de quem assedia. Se a lógica for essa, onde estará o limite?
OUTRAS
Hoje é a legging. Amanhã poderá ser a calça jeans mais ajustada, a saia na altura do joelho, a camiseta mais justa ou qualquer outra peça considerada inadequada por alguém.
CONSTITUCIONALIDADE
Aos poucos, a liberdade feminina passa a depender da interpretação de terceiros, e não do direito constitucional de cada mulher viver, trabalhar e circular sem ser importunada.
PUNIÇÃO
A verdadeira proteção à mulher não está em esconder suas formas. Está em identificar, punir e afastar quem transforma o ambiente de trabalho em espaço de constrangimento.
OUTRAS ROUPAS
Vale lembrar que mulheres sofrem assédio usando uniforme largo, jaleco, roupas sociais, macacões industriais e até equipamentos de proteção individual.
Foto: Reprodução / Magnific 
 
FATO
A experiência demonstra, diariamente, que o problema jamais esteve na vestimenta.
LEGALIDADE
Se havia uma Convenção Coletiva determinando outro uniforme, ela deve ser cumprida. Isso é uma questão jurídica.
PERIGO
Mas utilizar o combate ao assédio como principal fundamento para proibir uma peça de roupa abre um precedente preocupante, porque desloca o foco do agressor para a vítima.
DECISÃO
A sociedade precisa decidir qual mensagem deseja fortalecer. A de que homens devem respeitar mulheres independentemente da roupa que elas usam?
DECISÃO 2
Ou a de que cabe às mulheres adaptar suas roupas para reduzir o risco de serem assediadas? São visões completamente opostas.
ENTENDIMENTO
A primeira fortalece direitos. A segunda, ainda que revestida de boas intenções, acaba oferecendo uma sobrevida a um dos argumentos mais antigos, injustos e covardes utilizados para relativizar a violência contra as mulheres.
PASSADO
E isso, convenhamos, representa um retrocesso que não combina com o século XXI.
IDENTIFICAÇÃO
Os bastidores da política costumam ser marcados por disputas que vão muito além da definição de candidaturas. A escolha do número que cada candidato utilizará na urna também tem peso estratégico, especialmente para quem busca consolidar uma identidade junto ao eleitor.
NÃO GOSTOU
A  vereadora Sofia Andrade (PL) teria ficado insatisfeita por não receber o número 2222, que desejava utilizar em sua pré-candidatura à Câmara Federal, e que, em razão desse descontentamento, não teria comparecido à convenção do Partido Liberal.
Foto: Reprodução / Redes Sociais
 
REGRAS
Nos partidos, a definição dos números costuma levar em consideração diversos fatores, entre eles a estratégia eleitoral e a situação dos candidatos que já exercem mandato.
REGRAS 2
Em geral, parlamentares que buscam a reeleição acabam tendo preferência na escolha de números considerados mais fortes ou já associados às suas trajetórias políticas. Nesse caso, Sofia perdeu o número para quem já está deputado federal.
ENGODO
Esse tipo de decisão, entretanto, nem sempre agrada aos pré-candidatos que receberam promessas ou sinalizações anteriores por parte das executivas partidárias. Quando essas expectativas não se concretizam, é natural que haja frustração e questionamentos internos.
NO PÁREO
Independentemente do episódio, Sofia Andrade segue sendo apontada como um dos nomes do PL para disputar uma vaga na Câmara dos Deputados e já vinha participando das articulações da legenda ao longo deste ano.
FRASE
A responsabilidade pelo assédio é sempre de quem assedia, nunca da vítima.


Fonte: Tribuna Popular

+Notícias

Últimas Notícias