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OPINIÃO Lula late para os EUA e abana o rabo para a China: a soberania seletiva do Planalto

Governo Lula faz palanque contra tarifas americanas de 25% mas silencia diante dos 67% impostos pela China à carne bovina brasileira

Por ContraFatos

Enquanto o governo transforma tarifas americanas em palanque eleitoral, silencia sobre os 67% que a China impõe à carne brasileira
Existe um teste infalível para medir a seriedade de um governo quando o assunto é soberania: observe se ele reage da mesma forma quando o agressor muda de endereço.
O governo Lula falhou no teste.

De um lado, os Estados Unidos impuseram tarifas de 25% sobre produtos brasileiros. Lula reagiu com discursos inflamados, chamou opositores de “traidores da pátria”, transformou a questão em munição eleitoral e se apresentou como o grande defensor da nação. Do outro lado, a China — a mesma China que Lula visita com sorrisos largos e jantares de gala — aplicou uma tarifa efetiva de 67% sobre a carne bovina brasileira, o principal item de exportação do Brasil para aquele país.

E o que fez o Planalto? Silêncio.

Não houve discurso indignado. Não houve acusação de traição. Não houve sequer uma nota de repúdio. O governo que transforma tarifas americanas em espetáculo de campanha simplesmente engoliu em seco o tarifaço chinês.

A pergunta que ninguém faz é simples: se 25% dos americanos justificam bravatas, por que 67% dos chineses merecem silêncio?

Mas há um detalhe que torna a coisa ainda mais grave.

A China não apenas elevou tarifas. Ela impôs cotas anuais baixas para a carne bovina brasileira — cotas que se esgotaram já em junho. A partir daí, incide uma sobretaxa adicional de 55%, que eleva o peso total para 67%. Estamos falando de um ataque direto ao agronegócio, o motor que mantém a economia brasileira de pé enquanto o governo gasta como se não houvesse amanhã.

E é aí que a história complica.

O deputado Gustavo Gayer (PL-GO) acionou três ministérios pedindo explicações sobre a estratégia do governo diante da ameaça chinesa. Até agora, nada. Nenhuma resposta. Zero. O silêncio institucional é tão ensurdecedor quanto revelador.

A negligência, portanto, não é um acidente. É sistêmica. O governo Lula não falhou em proteger a economia brasileira por incompetência conjuntural — falhou porque suas prioridades são ideológicas, não nacionais. Atacar os Estados Unidos rende aplausos na militância e manchetes simpáticas. Confrontar a China exige coragem que o Planalto não tem e comprometeria uma relação que Lula trata com deferência quase religiosa.

Agora compare: quando Trump elevou tarifas, Lula foi à tribuna. Quando Xi Jinping sufocou o agronegócio brasileiro, Lula foi ao banquete.

O Brasil paga uma conta dupla. Paga pela dependência excessiva de commodities — uma vulnerabilidade estrutural que governos sucessivos se recusam a enfrentar porque exigiria reformas reais, abertura comercial e diversificação produtiva. E paga por ter no poder um governo que escolhe seus inimigos não pela ameaça que representam, mas pela conveniência eleitoral que oferecem.
Enquanto isso, a conta das diárias no Banco do Brasil sob a gestão de Tarciana Medeiros, nomeada por Lula, já ultrapassa R$ 94 milhões desde janeiro de 2023. Um único código de viagem corporativa para Belém, entre 5 e 22 de novembro de 2025, custou R$ 1,69 milhão — com diárias de quase R$ 100 mil cada. O banco alega que os valores se referem à COP e estão “dentro da conformidade”. Conformidade com o quê, exatamente? Com apartamentos de mais de 100 metros quadrados no centro de Belém que custam metade desse valor?
É o Estado brasileiro em sua forma mais pura: generoso com o dinheiro alheio, negligente com os interesses nacionais e seletivo na indignação.
A soberania que Lula tanto invoca nos palanques não resiste a um teste elementar de coerência. Soberania de verdade não escolhe adversário por afinidade ideológica. Soberania de verdade não se curva diante de quem taxa em 67% o produto que sustenta o país.
Mas talvez essa seja a questão central: o que Lula chama de soberania nunca foi sobre o Brasil. Sempre foi sobre a campanha.


Fonte: Tribuna Popular

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