Por Francisco Xavier Gomes
CACOAL: AS CONVENÇÕES, OS CANDIDATOS E OS REDUTOS…
O processo eleitoral chega a um momento dos mais esperados pelos partidos e pré-candidatos. A partir desta segunda-feira, até o dia 5 de agosto, os partidos políticos estão autorizados pela Justiça Eleitoral a realizar as escolhas de candidatos para os cargos governador, vice-governador, senador da república, deputados federais e deputados estaduais. No caso do Senado Federal, este ano os eleitores vão escolher dois nomes de sua preferência. Todavia, a corrida pelo voto do eleitor rondoniense começou bem antes, porque, desde o término do período de carnaval, os políticos que pretendem entrar na disputa por umas das vagas disponíveis já se movimentavam e marcavam presença nos principais eventos do estado, nas redes sociais e na intensificação de visitas aos municípios. E não somente os eventos de maior visibilidade registraram a presença de políticos. Muitos deles compareceram a aniversários, casamentos, batizados, feiras, igrejas e qualquer outro evento que reunisse mais de cinco pessoas. Em diversas ocasiões, alguns políticos foram vistos até em velórios de pessoas que nunca viram na vida. Houve casos de políticos que choraram copiosamente em velórios, dizendo que o defunto era o seu maior amigo. Assim é o processo eleitoral…
As convenções deste ano não devem apresentar tantas novidades, porque boa parte dos partidos anteciparam listas com nomes que teriam sido escolhidos. Escolhidos por quem? Pelos caciques ou donos de siglas. Até alguns anos atrás, as regras de convenções eram mais rigorosas e a Justiça Eleitoral designava fiscais que acompanhavam todo o decorrer do processo da escolha de candidatos, mas isto mudou. Atualmente, os donos de partidos é que escolhem os candidatos, com algumas raras exceções que somente são vistas em siglas que ainda primam pelo critério de escolhas pelo voto. A maior parte, porém, faz apenas encenação, mas apresenta lista já fechadas que são apenas informadas ao público que é chamado para bater palmas. É lógico que isso não impede a ocorrência de conflitos, traições, chororôs e revoltas. Nunca falta numa convenção aqueles que sonharam com a candidatura, tiveram a promessa do partido, mas são excluídos das listas, no último momento. Assim, imaginar que todas as convenções serão de festas, abraços e comemorações é pura ilusão. Em geral, os excluídos ficam muito bravos e ameaçam fazer confusão ou apoiar outros grupos, mas acabam convencidos a serem apenas cabos eleitorais, a partir de promessas de sinecuras ou prebendas que nunca irão se confirmar, mas muitos acreditam. Como as redes sociais ganharam força indiscutível no processo eleitoral, alguns insatisfeitos e defenestrados nas convenções talvez façam algum barulho, mas com pouco reflexo, porque pouca gente dá ouvidos a candidatos eliminados em convenções…
É muito importante e necessário lembrar que a propaganda eleitoral dos candidatos não começa um dia depois das convenções. Claro que não! Na convenção, o candidato saberá o número que vai usar no material de campanha, mas é necessário esperar. Existe uma agenda estabelecida pela própria Justiça Eleitoral. A aprovação do candidato em convenção significa que o partido garantiu a ele uma vaga na disputa, mas a propaganda eleitoral para todos os partidos começa no dia 16 de agosto, já que, após as convenções partidárias, há o prazo para os pedidos de registros de candidaturas, encaminhados pelos partidos à Justiça Eleitoral. Qualquer forma de propaganda, antes do dia 16 de agosto, pode gerar multa e até mesmo o indeferimento do pedido de registro de candidatura. Todavia, é evidente que nenhum candidato vai ficar em casa esperando pelo dia 16 de agosto, porque algumas ações são permitidas por lei. Aprovado na convenção, o candidato vai buscar seus aliados, organizar conversas fechadas, reuniões de alinhamento, contratação de pessoal, visitar amigos e inimigos, divulgar informações aos eleitores para informar que foi aprovado na convenção… Aliás, vale ressaltar, que o fato de um candidato divulgar aos eleitores que foi aprovado em convenção ainda não possibilita a divulgação de número. Os candidatos sabem disso, ou deveriam saber, mas existe um fato que muitos candidatos vão perceber somente depois das convenções: os partidos não costumam orientar os candidatos sobre práticas proibidas e muitos deles acabam se vendo sozinhos e desorientados. Esse abandono após as convenções geralmente produz desistência, principalmente de candidatos neófitos que imaginaram muitas coisas que não se verificam na prática…
Um fenômeno bem curioso em campanhas, principalmente em campanhas de deputados estaduais, está relacionado com a definição de reduto eleitoral. Os marinheiros de primeira viagem costumam acreditar em tudo, mas a turma que já possui mandato faz acertos prévios. Atualmente já existem vários acordos desse tipo entre os deputados estaduais, para que um não invista pesado no curral do outro. Óbvio que a prática é muito ruim, porque possibilita a reeleição de deputados que não tiveram nenhum compromisso com seus municípios, mas que são colocados como dono do território durante a campanha. O problema é que o eleitor desinformado muitas vezes leva isso a sério. Mesmo com essa dura realidade, é possível que haja boas mudanças este ano, especialmente na composição da bancada federal, porque a imensa maioria dos atuais deputados federais de Rondônia vestiu a camisa da omissão, e muitos deles se dedicaram a praticar o que se convencionou chamar de “lacração” nas redes sociais. As convenções vêm aí, resta saber como estará o humor dos eleitores rondonienses… Tenho dito!!
FRANCISCO XAVIER GOMES
Professor, Jornalista e Advogado
Fonte: Tribuna Popular