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Atletismo federado cresce em Rondônia e abre caminho para novos investimentos no esporte

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Atletismo federado cresce em Rondônia e abre caminho para novos investimentos no esporte
Com dezenas atletas vinculados, a associação registrada na CBAT sob o nº 11441 estrutura projetos para acessar as leis de incentivo federal e estadual — e bancar viagens, estrutura e bolsas que hoje saem do bolso de quem compete.
Da Assessoria da ADECC
São 112 atletas com filiação ativa na Confederação Brasileira de Atletismo (CBAT). O número mede o tamanho do atletismo rondoniense hoje — e mais da metade dele, 58 atletas, está reunida em uma única entidade: a Associação Desportiva e Cultural Capital do Café (ADECC). Registrada na confederação sob o nº 11441 e filiada à Federação de Atletismo de Rondônia (FARO), a associação agora estrutura projetos para alcançar as duas leis capazes de financiar o esporte no estado sem custo extra para quem investe — a federal, que redireciona Imposto de Renda, e a estadual, que redireciona ICMS.
A marca de 112 federados não apareceu por acaso. Ela é o saldo do trabalho de atletas, treinadores, assessorias esportivas, clubes, federação e entidades que sustentam a modalidade no estado, muitas vezes com orçamento improvisado. A ADECC reúne esportistas de diferentes municípios rondonienses e passa, desde 2025, por uma reorganização conduzida pela atual diretoria: arrumação administrativa, ampliação da base de federados e montagem de projetos de médio e longo prazo — a lição de casa exigida por quem pretende captar recursos incentivados.

112
atletas com filiação ativa na CBAT em Rondônia

58
federados vinculados à ADECC, mais da metade do estado

2025
início da gestão que reestrutura a entidade

Do gabinete para o asfalto
À frente da associação está o empresário Elizeu Dias, ex-secretário municipal de Desenvolvimento Econômico de Cacoal e atleta amador de corrida de rua. É uma combinação incomum no dirigente esportivo do interior: conhece por dentro a máquina pública, circula na iniciativa privada e ainda calça o tênis nas provas de fim de semana. Segundo ele, a atuação na ADECC nasce justamente do encontro entre essas duas vidas.

“Ao longo da minha vida profissional sempre trabalhei com o propósito do cuidado e da proteção das pessoas. Hoje, esse mesmo propósito também está presente no esporte.”
Elizeu Dias · presidente da ADECC

O talento não é o gargalo. A conta é.
Como corredor, Dias acompanha de perto a rotina de quem compete no estado. E o obstáculo que ele descreve não tem nada a ver com cronômetro. Tem a ver com passagem aérea, diária de hotel, alimentação, taxa de inscrição e sapatilha. Sair da Região Norte para disputar um campeonato nacional custa caro — e, na ausência de programas permanentes de apoio, essa conta cai no colo do próprio atleta ou da família.
O resultado dessa aritmética é conhecido de quem acompanha a modalidade: o atleta é formado aqui e passa a competir por outro estado, onde encontra a estrutura que ainda falta em Rondônia. A camisa muda. O investimento feito na base, não volta.

“É difícil ver atletas formados em Rondônia representando outros estados porque encontraram lá aquilo que ainda estamos construindo aqui.”
Elizeu Dias · presidente da ADECC

O que falta, na avaliação do dirigente, é o conjunto: projetos permanentes, apoio institucional, investimento privado viabilizado por lei de incentivo e estrutura capaz de dar continuidade ao que começa na base. “Nosso propósito é contribuir para que, no futuro, os talentos rondonienses tenham motivos para permanecer em Rondônia e construir aqui suas carreiras esportivas”, diz.
Duas leis, um mesmo princípio
A engrenagem que a ADECC quer acionar já existe e é usada há anos por entidades de outros estados. O princípio das duas leis é o mesmo: uma parcela de imposto que a empresa pagaria de qualquer forma deixa de seguir para o cofre público e vai direto para um projeto esportivo aprovado. Não é doação, não é gasto extra — é redirecionamento.

Âmbito federal
Lei de Incentivo ao Esporte
Lei nº 11.438/2006
É a principal ferramenta de fomento ao esporte no país. Permite que empresas tributadas pelo Lucro Real — e também pessoas físicas — invistam parte do que pagariam de Imposto de Renda em projetos aprovados pelo Ministério do Esporte.
O valor aplicado no projeto é descontado do imposto devido pelo patrocinador. Na prática, a empresa apoia o esporte local sem desembolso adicional: apenas escolhe o destino de um tributo que já seguiria para a Receita Federal.

Âmbito estadual
Incentivo via ICMS
Lei Complementar nº 272/2002 e programas locais
Rondônia tem legislação própria que possibilita o patrocínio esportivo com abatimento no ICMS, por meio de mecanismos ligados à LC nº 272/2002 e de programas estaduais de fomento.
Empresas que atuam no estado e recolhem ICMS podem destinar um percentual do imposto diretamente a projetos de entidades esportivas rondonienses credenciadas pelo governo estadual — ou seja, o recurso nasce e fica em Rondônia.

Onde esse dinheiro encosta
Chegar a 112 federados é um feito. Sustentar alto rendimento é outro problema, e ele é caro. A ADECC busca a aprovação de projetos nas duas leis para cobrir três frentes que hoje decidem quem continua e quem desiste.

01
Custeio de viagens
Passagens e hospedagem para disputar campeonatos nacionais e internacionais — item que pesa muito mais saindo da Região Norte do que de qualquer outro ponto do país.

02
Estrutura de ponta
Equipamentos, sapatilhas, suplementação e uma equipe multidisciplinar — fisioterapeuta, nutricionista, psicólogo — que hoje raramente cabe no orçamento de uma entidade do interior.

03
Bolsa e ajuda de custo
Uma remuneração que permita ao jovem atleta treinar sem abandonar o esporte para trabalhar — e sem precisar se mudar para clubes do Sul e do Sudeste.

Enquanto os projetos amadurecem, a associação sustenta a operação básica: apoia a regularização de atletas junto ao sistema federativo da CBAT, participa de competições oficiais, incentiva a formação esportiva e mantém a conversa aberta com parceiros públicos e privados. A agenda de captação inclui iniciativas de formação, descoberta de talentos, realização de competições, capacitação técnica e democratização do acesso ao esporte.

“O que muitas vezes falta é aproximar esses projetos das empresas que podem investir. Quando isso acontece, todos ganham: ganha o atleta, ganha a comunidade, ganha a empresa e ganha o estado de Rondônia.”
Elizeu Dias · presidente da ADECC

O estado já tem o mais difícil: gente que corre, gente que treina e entidades dispostas a organizar. O que a ADECC propõe agora é a parte que falta — transformar imposto em pista, em viagem, em bolsa. Mais do que formar campeões, diz a diretoria, a aposta é deixar um legado que não dependa do fôlego de uma geração só.

Serviço
Associação Desportiva e Cultural Capital do Café (ADECC) — registro CBAT nº 11441, filiada à Federação de Atletismo de Rondônia (FARO). Empresas interessadas em patrocinar projetos incentivados podem obter informações em www.adecc.com.br.


Fonte: Tribuna Popular

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