A demora na transferência de pacientes para unidades hospitalares de maior complexidade continua sendo um dos principais desafios da saúde pública em Porto Velho. O Pronto-Socorro João Paulo II, referência no atendimento de urgência e emergência em Rondônia, enfrenta há anos problemas de superlotação, déficit de leitos e alta demanda, cenário que, segundo relatos de pacientes e familiares, compromete o acesso a tratamentos especializados.
Um dos casos mais recentes chegou à redação do News Rondônia por meio da internauta Cristina, que relata viver dias de angústia enquanto tenta conseguir a transferência do ex-marido, Antônio Marques, internado desde terça-feira na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Zona Sul da capital.
Segundo ela, o paciente aguarda uma vaga no Hospital João Paulo II para dar continuidade ao tratamento, mas, até a publicação desta reportagem, a transferência ainda não havia sido realizada.
Cristina afirma que buscou ajuda de diferentes formas para tentar agilizar o atendimento. Segundo ela, além de recorrer às redes sociais, também procurou o Ministério Público de Rondônia (MPRO), porém diz que, até o momento, não recebeu uma solução para o caso.
“Ele está na UPA desde terça-feira. Disseram que iam encaminhá-lo para o João Paulo, mas até agora não fizeram nada. Já procurei o Ministério Público, já fui para as redes sociais, já pedi ajuda para um monte de gente, tentando conseguir essa transferência.”
Ela afirma ainda que enfrenta um impasse entre as unidades de saúde, situação que classifica como um verdadeiro “jogo de empurra”.
“O João Paulo empurra para a UPA, a UPA empurra para o João Paulo, e ninguém resolve nada. Enquanto isso, o estado dele só piora.”
De acordo com Cristina, Antônio é diabético e apresentou agravamento do quadro clínico nos últimos dias.
Segundo ela, um novo exame de imagem apontou maior comprometimento do pulmão, além do surgimento de alterações na pressão arterial.
“Ele fez outro raio-X hoje e o pulmão dele está mais comprometido do que antes. Está muito cansado. Ele nem tinha pressão alta e agora a pressão vive elevada.”
Família faz novo apelo
Em um vídeo gravado dentro da própria unidade de saúde, Cristina voltou a pedir ajuda e cobrou providências das autoridades responsáveis pela regulação de vagas e pelo atendimento.
“Boa tarde, gente. Estou aqui de novo nessa luta pela saúde do Antônio Marques. Estamos na UPA Sul de Porto Velho. É um empurra para cá, empurra para lá, e ninguém faz nada. Vão esperar o quê? Que ele seja intubado para ser atendido?”
Ela também voltou a mencionar o Ministério Público, afirmando que buscou apoio, mas que a situação permanece sem solução.
“Cadê o Ministério Público? Fala comigo, mas ninguém resolve nada. Ele tem diabetes, está internado aqui desde terça-feira e já são quatro dias esperando. O que estão esperando para tomar uma atitude?”
Procedimento necessário não é realizado na unidade
Cristina relata ainda que Antônio necessita de uma drenagem pleural, procedimento que, segundo ela, não é realizado na UPA onde está internado.
“Na UPA eles apenas medicam. A drenagem não é feita aqui. Ele está com derrame pleural, um problema gravíssimo no pulmão. Vão esperar ele parar de respirar para ser atendido? Vão esperar ele morrer para alguém fazer alguma coisa?”
O desabafo termina com um novo pedido de ajuda para que a transferência seja realizada com urgência.
“Eu preciso desse encaminhamento. Preciso que alguém faça alguma coisa pela saúde dele. Preciso de uma resposta. Peço ajuda de todos.”
Problema recorrente na saúde pública
O caso relatado por Cristina evidencia uma realidade frequentemente enfrentada por pacientes que dependem da rede pública de saúde em Rondônia. A superlotação do Hospital João Paulo II e a limitação de leitos para internação especializada fazem com que muitos pacientes permaneçam por dias em unidades de pronto atendimento aguardando transferência para hospitais de maior complexidade.
Enquanto isso, familiares convivem com a incerteza e com o receio de que o quadro clínico se agrave antes da disponibilização de uma vaga.
O direito à saúde é assegurado pela Constituição Federal e o acesso ao atendimento adequado deve ocorrer de forma universal e igualitária. No entanto, situações como a relatada nesta reportagem reforçam os desafios enfrentados diariamente por usuários do sistema público de saúde.
O News Rondônia acompanhará o caso e deixa espaço aberto para manifestação da Secretaria de Estado da Saúde de Rondônia (Sesau), da Secretaria Municipal de Saúde (Semusa) e do Ministério Público de Rondônia (MPRO), caso os órgãos queiram apresentar esclarecimentos sobre a situação.
Quando o assunto é saúde, cada minuto pode fazer diferença. Para pacientes que aguardam um leito hospitalar ou um procedimento especializado, o tempo pode ser decisivo para a evolução do quadro clínico.
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Fonte: News Rondônia