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O desafio do próximo governo em construir o tão sonhado e esperado HEURO

A saúde pública de Rondônia chegou a um ponto em que discursos já não são suficientes. A população está cansada de promessas repetidas a cada eleição e de projetos que demoram anos para sair do papel. Entre essas promessas, nenhuma representa tão bem a esperança dos rondonienses quanto o Hospital de Emergência e Urgência de Rondônia (HEURO).
O próximo governo herdará uma das maiores responsabilidades da história recente do Estado: transformar em realidade um projeto concebido ainda na gestão do ex-governador Confúcio Moura (MDB). Não se trata apenas de erguer um prédio moderno, mas de entregar uma estrutura capaz de atender à crescente demanda por serviços de alta complexidade, reduzir a superlotação dos hospitais existentes e oferecer um atendimento digno à população.
A construção do HEURO será um verdadeiro teste de competência administrativa. Exigirá planejamento, responsabilidade na aplicação dos recursos públicos, fiscalização rigorosa e, acima de tudo, vontade política para vencer a burocracia que historicamente atrasa grandes obras em Rondônia. O Estado não pode mais conviver com cronogramas descumpridos, contratos questionados e inaugurações que nunca acontecem.
Ao final de quase oito anos de governo, Marcos Rocha (União Brasil) deixará o cargo sem entregar aquela que pode ser considerada a obra mais importante da saúde pública rondoniense nas últimas décadas. Apesar dos anúncios, promessas e da formalização de procedimentos administrativos, a construção do HEURO não registrou avanços efetivos em seu canteiro de obras durante sua gestão. A promessa permaneceu distante da realidade, ampliando a frustração de uma população que diariamente enfrenta as consequências da precariedade do sistema estadual de saúde.
Esse cenário inevitavelmente fará parte do balanço de seu governo e alimentará o debate sobre seu legado, especialmente na área da infraestrutura pública. Para seus críticos, Marcos Rocha encerrará o mandato marcado pela dificuldade de transformar projetos estratégicos em obras concluídas e efetivamente entregues à sociedade.
Enquanto o novo hospital permanecia no papel, a principal resposta do governo para a crise da saúde foi a manutenção de medidas paliativas no Hospital e Pronto-Socorro João Paulo II. Há anos, a unidade é apontada por órgãos de fiscalização, profissionais da saúde e pela própria população como um hospital superlotado, com estrutura física envelhecida e insuficiente para atender à demanda crescente. Em diversos momentos, cenas de pacientes acomodados em macas instaladas na garagem do hospital ganharam repercussão nacional, tornando-se um símbolo do colapso da saúde pública em Rondônia. O HEURO, anunciado como a solução definitiva para esse problema histórico, terminou o governo sem sair efetivamente do papel.
Entretanto, o desafio do próximo governador não será apenas construir o hospital. Será necessário garantir profissionais qualificados, equipamentos modernos, abastecimento permanente de medicamentos e insumos, além de uma gestão eficiente e financeiramente sustentável. Um hospital sem recursos humanos e sem capacidade operacional corre o risco de se transformar em apenas mais um monumento ao desperdício do dinheiro público.
A sociedade também terá papel decisivo nesse processo. Cabe aos órgãos de controle, à imprensa e aos cidadãos acompanhar cada etapa da obra, fiscalizar a aplicação dos recursos públicos e exigir transparência. Afinal, cada centavo investido pertence ao contribuinte e deve retornar em forma de serviços públicos de qualidade.
O HEURO deixou de ser apenas um projeto de infraestrutura. Tornou-se um símbolo da capacidade, ou da incapacidade, do poder público em responder às necessidades mais básicas da população. Quando um paciente espera meses por uma cirurgia, percorre centenas de quilômetros em busca de atendimento especializado ou permanece horas, às vezes dias, em corredores hospitalares à espera de um leito, o problema deixa de ser estatístico e passa a ser uma questão de dignidade humana.
O próximo governador terá a oportunidade de entrar para a história não pelos discursos que fizer, mas pelas obras que entregar. Se conseguir concluir o HEURO com qualidade, transparência e pleno funcionamento, deixará um legado capaz de transformar a assistência hospitalar em Rondônia por muitas décadas. Caso contrário, o hospital se somará à longa lista de grandes promessas que nunca passaram de expectativas.
A população não espera milagres. Espera compromisso, competência e resultados. O tempo das promessas já se esgotou. O HEURO será o primeiro grande teste do próximo governo e, talvez, a obra que definirá sua capacidade de enfrentar um dos maiores desafios da história recente de Rondônia: devolver dignidade à saúde pública e esperança aos milhares de rondonienses que dependem exclusivamente do Sistema Único de Saúde.

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Fonte: News Rondônia

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