O fenômeno El Niño voltou ao centro das atenções da comunidade científica internacional. Novos levantamentos sobre o aquecimento das águas do Pacífico Equatorial, especialmente nas porções central e leste do oceano, vêm sendo atualizados continuamente à medida que novas informações são incorporadas aos modelos climáticos.
A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) mantém monitoramento permanente da evolução do fenômeno. O assunto já havia sido abordado anteriormente pelo News Rondônia, mas as atualizações divulgadas no início de julho reforçam a necessidade de acompanhamento constante diante da evolução dos indicadores.
Segundo análise dos meteorologistas Estael Sias e Luiz Nachtigall, da MetSul Meteorologia, as projeções mais recentes indicam que as anomalias da temperatura da superfície do mar no Pacífico Equatorial Centro-Leste poderão atingir valores entre +3°C e +4°C durante o último trimestre do ano. Caso esse cenário se confirme, o aquecimento estará entre os mais elevados já registrados desde o início das observações meteorológicas modernas.
Outro aspecto que chamou a atenção dos especialistas é a magnitude das projeções. Os gráficos divulgados pela NOAA passaram a considerar um limite superior de até +5°C para representar as anomalias de temperatura, tanto no Oceanic Niño Index (ONI) quanto no Relative Oceanic Niño Index (RONI). A ampliação da escala reflete a possibilidade de um aquecimento excepcional, acima do observado na maioria dos episódios históricos.
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De acordo com a MetSul Meteorologia, a evolução dos modelos climáticos reforça a possibilidade de que o atual episódio figure entre os mais intensos já monitorados. Se as previsões forem confirmadas, os efeitos poderão ser sentidos em diferentes regiões do planeta, aumentando a probabilidade de ocorrência de eventos meteorológicos extremos, como secas prolongadas, ondas de calor, tempestades mais intensas e alterações significativas nos padrões de precipitação.
Em Rondônia, os efeitos também poderão ser significativos caso as projeções se confirmem. Historicamente, episódios de El Niño estão associados à redução das chuvas sobre parte da Amazônia durante a estação seca, favorecendo temperaturas acima da média, queda da umidade relativa do ar e prolongamento da estiagem. Em 2023, durante um dos episódios mais intensos das últimas décadas, o estado enfrentou uma severa estiagem, com aumento expressivo das queimadas e incêndios florestais, degradação da qualidade do ar devido à fumaça, temperaturas elevadas e redução dos níveis dos rios, afetando comunidades ribeirinhas, o abastecimento de água e atividades econômicas em diferentes regiões. Caso um novo evento de forte intensidade se confirme, especialistas alertam para a possibilidade de impactos semelhantes ou até mais acentuados, exigindo acompanhamento contínuo dos órgãos de monitoramento e ações preventivas para minimizar os efeitos sobre a população e o meio ambiente.
Especialistas destacam que, embora ainda haja incertezas inerentes às projeções climáticas, os modelos numéricos convergem para um cenário que exige monitoramento permanente e planejamento por parte das autoridades e da população diante dos possíveis efeitos do fenômeno. Com informações de https://metsul.com/el-nino-pode-ser-extremo-e-se-tornar-o-mais-intenso-da-era-moderna/ e https://science.nasa.gov/earth/explore/el-nino/ .
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Fonte: News Rondônia