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Brasil deixa o Mapa da Fome, mas ainda tem 6,5 milhões em insegurança alimentar

3 minutos de leitura

Um ano após deixar o Mapa da Fome, o Brasil ainda registra cerca de 6,5 milhões de pessoas em situação de insegurança alimentar grave. Apesar da melhora nos indicadores, especialistas defendem a continuidade de políticas públicas para garantir renda, emprego e acesso à alimentação adequada.

Em julho de 2025, o Brasil deixou oficialmente o Mapa da Fome, após reduzir o índice de subnutrição para menos de 2,5% da população. No entanto, dados atuais apontam que cerca de 6,5 milhões de brasileiros ainda enfrentam insegurança alimentar grave.

O resultado é considerado o melhor da série histórica, mas especialistas destacam que a manutenção desse cenário depende de políticas públicas contínuas voltadas à renda, emprego, educação e proteção social.

Atualmente, aproximadamente 77% da população brasileira tem acesso regular e suficiente a alimentos saudáveis, enquanto uma parcela ainda enfrenta dificuldades para garantir alimentação básica.

Especialistas alertam para necessidade de políticas permanentes

Segundo o pesquisador Lucas de Almeida Moura, do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Combate à Fome, a saída do Mapa da Fome é resultado de uma forte articulação de políticas públicas, mas ainda exige manutenção e aprimoramento.

Para ele, o combate à fome vai além da oferta de alimentos e envolve uma estrutura ampla que inclui renda, saneamento, educação, saúde e emprego.

O pesquisador também desenvolveu o Índice Multidimensional de Insegurança Alimentar, que avalia o problema com base em 12 indicadores de desenvolvimento sustentável. Os dados mais recentes apontam desigualdades regionais, com piores índices concentrados no Norte e Nordeste do país.

Políticas públicas foram decisivas para redução da fome

De acordo com a secretária extraordinária de Combate à Pobreza e à Fome do Ministério do Desenvolvimento Social (MDS), Valéria Burity, o objetivo do governo é garantir o direito à alimentação adequada para toda a população.

Entre as principais ações destacadas está o Plano Brasil Sem Fome, que integra políticas de renda, proteção social e incentivo à agricultura familiar.

O programa também reforçou iniciativas como cozinhas comunitárias, alimentação escolar e fortalecimento da rede de assistência social.

Emprego, renda e programas sociais impulsionaram melhora Especialistas apontam que a redução da fome no país também está relacionada ao desempenho do mercado de trabalho e ao aumento da renda das famílias.

A professora Semíramis Domene, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), destaca três fatores principais: redução das desigualdades, fortalecimento das políticas públicas e incentivo à produção de alimentos.

Programas como o Bolsa Família e o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) também tiveram papel relevante na melhora dos indicadores.

Economia e preços dos alimentos influenciaram cenário

O economista Daniel Duque, da Fundação Getulio Vargas (FGV), avalia que o aumento da renda, a melhora no emprego e a estabilidade dos preços dos alimentos contribuíram para a redução da insegurança alimentar.

Segundo ele, a manutenção de um mercado de trabalho aquecido será essencial para que o Brasil permaneça fora do Mapa da Fome.

Desigualdade ainda marca cenário da insegurança alimentar

Apesar dos avanços, o estudo aponta fortes desigualdades regionais. Estados do Norte e Nordeste concentram os maiores índices de insegurança alimentar, enquanto regiões como Santa Catarina apresentam os melhores resultados.

Os pesquisadores reforçam que o desafio agora é consolidar políticas de longo prazo para evitar retrocessos.

Perguntas frequentes O Brasil ainda tem fome?

Sim. Apesar de ter saído do Mapa da Fome, cerca de 6,5 milhões de pessoas ainda vivem em insegurança alimentar grave.

O que fez o Brasil sair do Mapa da Fome?

A combinação de políticas públicas, aumento do emprego, renda e programas sociais como o Bolsa Família.

O que é insegurança alimentar?

É a falta de acesso regular e suficiente a alimentos de qualidade.

O Brasil pode voltar ao Mapa da Fome?

Sim. Especialistas afirmam que isso depende da manutenção das políticas públicas e da estabilidade econômica.

Com informações de Alana Gandra – Repórter da Agência Brasil Veja mais notícias