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Diretor da ANEEL alerta para risco de apagão sistêmico no Brasil

O diretor da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), Fernando Mosna, alertou que o Brasil se aproxima de um cenário em que um apagão de grandes proporções poderá ocorrer caso o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) perca a capacidade de supervisionar a operação do sistema e os mecanismos de controle para situações críticas não funcionem adequadamente.

A declaração foi feita durante o evento “Tendências do Setor Elétrico em 2027”, realizado no último dia (25), no Rio de Janeiro.

Segundo Mosna, o crescimento acelerado da geração distribuída, especialmente por meio de sistemas de energia solar instalados em residências, empresas e propriedades rurais, vem transformando significativamente a operação do Sistema Interligado Nacional (SIN). Atualmente, a modalidade já representa cerca de 49 gigawatts (GW) de capacidade instalada, equivalente a aproximadamente um quinto de toda a geração de energia do país, que soma cerca de 252 GW.

“Eu acredito que estamos chegando cada vez mais naquele momento em que o colapso pode acontecer, porque, se eventualmente o Operador (ONS) perder a capacidade de supervisionar o sistema e o mecanismo que for aprovado pela ANEEL para que as distribuidoras tenham condições de recolher a geração de usinas do Tipo 3 não funcionar, efetivamente a gente pode ter um apagão no país”, afirmou o diretor.

Mosna destacou que o novo cenário exige o aprimoramento dos mecanismos de operação do sistema elétrico para garantir segurança e confiabilidade diante da expansão da geração distribuída.

Aumento repentino do consumo preocupa

Durante a palestra, o diretor relembrou um episódio ocorrido após uma partida da Seleção Brasileira contra o Haiti, quando o consumo de energia aumentou rapidamente ao término do jogo. Segundo ele, o ONS precisou incorporar cerca de 4,3 GW de carga ao sistema em apenas 21 minutos para atender à demanda.

Ainda conforme Mosna, o operador também precisou atuar em conjunto com distribuidoras para reduzir temporariamente a geração de determinadas usinas conectadas às redes de distribuição, preservando a estabilidade do sistema elétrico.

Ele também demonstrou preocupação com partidas realizadas durante o período da tarde, quando há elevada geração de energia solar distribuída. De acordo com o diretor, o encerramento de eventos de grande audiência nesse horário pode provocar mudanças bruscas na demanda por energia, exigindo respostas rápidas do sistema elétrico nacional.

Curtailment segue sem solução definitiva

Outro tema abordado por Fernando Mosna foi o chamado curtailment, termo utilizado para designar os cortes obrigatórios na geração de energia, principalmente de fontes renováveis, por necessidade operacional do sistema.

Segundo o diretor, o problema ganhou maior relevância após o apagão registrado em 15 de agosto de 2023, quando os episódios de restrição na geração passaram a ocorrer com maior frequência.

Mosna afirmou que diversas iniciativas já foram discutidas para enfrentar a questão, incluindo grupos de trabalho, alterações legislativas e consultas públicas. No entanto, ressaltou que ainda não existe uma solução definitiva.

A ANEEL iniciou recentemente um processo regulatório para definir novas regras sobre o tratamento do curtailment. A proposta ainda deverá passar por consulta pública, receber contribuições dos agentes do setor e ser debatida antes da aprovação da regulamentação final.

Por Jefferson Lagos Santos
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Fonte: RO ACONTECE

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