A engenharia florestal exerce um papel estratégico na economia de Rondônia ao conciliar produção, preservação ambiental e desenvolvimento sustentável. A avaliação é da presidente da Associação Rondoniense dos Engenheiros Florestais (AREF), Wanda Maria Bart, durante entrevista concedida ao programa Em Cima da Hora, do News Rondônia.
Segundo ela, a atuação dos engenheiros florestais vai muito além da elaboração de planos de manejo. Os profissionais trabalham diretamente com licenciamento ambiental, recuperação de áreas degradadas, reflorestamento, regularização ambiental, captação de recursos para propriedades rurais, gestão de recursos hídricos e diversas outras atividades essenciais para o crescimento do Estado.
“A engenharia florestal é um ramo da engenharia que estuda o ecossistema ambiental. Ela é muito importante para conciliar a floresta com o desenvolvimento econômico, a agropecuária e o setor madeireiro”, afirmou Wanda.
A dirigente destaca que Rondônia possui uma das maiores riquezas florestais do Brasil, tornando indispensável a atuação técnica para garantir que o uso dos recursos naturais ocorra dentro da legislação ambiental e de forma sustentável.
AREF completa mais de quatro décadas de atuação
Fundada em 1982, a Associação Rondoniense dos Engenheiros Florestais reúne profissionais responsáveis por representar a categoria junto aos órgãos públicos, empresas privadas e ao Sistema Confea/Crea.
De acordo com Wanda Maria Bart, a entidade participou da construção da história institucional da engenharia em Rondônia, contribuindo inclusive para importantes avanços ligados ao desenvolvimento do Estado.
“A AREF foi criada em 1982 e teve uma importância muito grande na construção da engenharia florestal em Rondônia. Hoje queremos que cada vez mais profissionais participem da associação”, destacou.
Entre as ações promovidas pela associação estão:
capacitação técnica;
cursos gratuitos;
treinamentos especializados;
representação institucional da categoria;
fortalecimento profissional dos engenheiros florestais.
A presidente ressalta que a participação dos profissionais é fundamental para ampliar a representatividade da engenharia florestal.
“Precisamos que os profissionais participem, porque é através da associação que conseguimos representar a categoria perante os órgãos públicos e buscar melhorias para todos.”
Regularização fundiária ainda representa um dos maiores desafios
Durante a entrevista, Wanda destacou que a falta de regularização fundiária continua sendo um dos principais entraves para o desenvolvimento do setor.
Segundo ela, muitos profissionais encontram dificuldades para exercer plenamente suas atividades porque diversos imóveis ainda não possuem documentação regularizada.
“Com a falta da regularização fundiária, diminui o trabalho do profissional e dificulta todo o processo, porque muitas propriedades não conseguem a documentação necessária.”
Essa situação afeta diretamente:
licenciamentos ambientais;
financiamentos rurais;
manejo florestal;
reflorestamento;
recuperação de áreas;
geração de empregos.
Para a presidente da AREF, processos mais ágeis contribuem para reduzir práticas ilegais e fortalecer empresas que atuam dentro da legislação.
“Quem trabalha corretamente faz um investimento alto. Já quem atua de forma ilegal vende mais barato e acaba prejudicando todo o setor.”
Tecnologia transforma a engenharia florestal
Outro ponto destacado foi a rápida evolução tecnológica da profissão.
Atualmente, drones, imagens de satélite, sistemas de georreferenciamento e equipamentos digitais permitem levantamentos florestais com maior precisão e rapidez.
Segundo Wanda, atividades que antes exigiam semanas de trabalho em campo podem ser executadas em poucas horas utilizando novas tecnologias.
“Hoje você consegue fazer um levantamento de centenas de hectares com drone em um único dia. Antes eram necessários meses de trabalho de campo.”
Ela observa, entretanto, que essa transformação exige atualização permanente dos profissionais.
“Os profissionais vão precisar se reinventar e estar se atualizando sempre para acompanhar esses avanços tecnológicos.”
Mercado de trabalho oferece novas oportunidades
Embora o manejo florestal tenha diminuído em relação a décadas anteriores, novas áreas de atuação vêm ampliando as oportunidades para engenheiros florestais.
Entre elas estão:
licenciamento ambiental;
regularização ambiental;
recuperação de áreas degradadas;
reflorestamento;
outorgas para uso da água;
consultorias ambientais;
estudos técnicos;
projetos multidisciplinares.
A presidente reforça que o trabalho integrado com agrônomos, biólogos, geólogos e outros especialistas tornou-se cada vez mais comum.
“Hoje existe muito mercado para a engenharia florestal. O profissional pode atuar em várias áreas além do manejo, principalmente nos licenciamentos ambientais e projetos técnicos.”
Ela também incentivou os recém-formados a buscarem apoio da associação.
“Os novatos não devem ter medo de procurar a AREF. Nós ajudamos, orientamos e compartilhamos conhecimento para fortalecer toda a categoria.”
Qualificação permanente fortalece a categoria
A AREF vem promovendo cursos de atualização em parceria com instituições como CREA, Confea e outros órgãos.
Segundo Wanda Maria Bart, os treinamentos são realizados tanto na capital quanto no interior de Rondônia.
Além da capacitação técnica, os eventos também possuem caráter social, arrecadando alimentos destinados a instituições beneficentes.
“Os cursos são gratuitos para os profissionais e, em vez de inscrição, pedimos apenas a doação de alimentos que depois são destinados a entidades beneficentes.”
A dirigente destaca que investir na qualificação contínua aumenta a segurança técnica dos profissionais e melhora a qualidade dos serviços prestados à sociedade.
Sustentabilidade depende de conhecimento técnico
Durante a entrevista, Wanda reforçou que existe uma percepção equivocada sobre o trabalho desenvolvido pelos engenheiros florestais.
Segundo ela, o manejo florestal sustentável não significa desmatamento indiscriminado.
“Existe uma ideia equivocada de que o engenheiro florestal gosta de derrubar árvores. Não é assim. O manejo é planejado, autorizado pelos órgãos ambientais e respeita critérios técnicos rigorosos.”
A atividade é regulamentada por normas ambientais e permite apenas a retirada controlada de árvores previamente autorizadas pelos órgãos competentes.
Ela explica que esse processo favorece a regeneração natural da floresta, preserva a biodiversidade e contribui para a manutenção dos serviços ambientais.
“Quando uma árvore madura é retirada, a floresta se regenera naturalmente. O banco de sementes existente no solo permite o nascimento de novas árvores e a continuidade do ciclo florestal.”
Para a presidente da associação, o engenheiro florestal atua como um dos principais responsáveis pela conservação das florestas brasileiras.
“As nossas soluções não são a floresta no chão. Nós trabalhamos para preservar, para mantê-la em pé.”
Eleições reforçam participação dos profissionais
Outro tema abordado foi o processo eleitoral da AREF.
Mesmo com chapa única, Wanda ressaltou a importância da participação dos engenheiros florestais na votação, destacando que uma representatividade expressiva fortalece a entidade perante os órgãos públicos e o Sistema Confea/Crea.
“Mesmo sendo chapa única, é importante que os profissionais votem. Precisamos de uma participação expressiva para fortalecer a associação e representar melhor a categoria.”
Ela também incentivou os profissionais recém-formados a se associarem à entidade e participarem das atividades promovidas pela associação.
“Uma andorinha só não faz verão. Precisamos da participação de todos para fortalecer a engenharia florestal em Rondônia.”
Engenharia florestal e o futuro da Amazônia
Ao comentar o papel da Amazônia nas discussões globais sobre sustentabilidade, Wanda afirmou que os engenheiros florestais possuem responsabilidade técnica na elaboração de projetos que conciliem produção e conservação ambiental.
Segundo ela, a atuação da categoria deve sempre estar fundamentada na legislação, na ciência e nas boas práticas de manejo.
“O engenheiro florestal é o guardião da floresta. Ele precisa atuar baseado na legislação, atualizado tecnicamente e comprometido com a preservação ambiental.”
A presidente resumiu essa missão destacando que o objetivo dos profissionais é manter a floresta preservada enquanto promove desenvolvimento econômico responsável.
“Nosso trabalho é mostrar que desenvolvimento e conservação podem caminhar juntos. O futuro da Amazônia depende de conhecimento técnico, responsabilidade e compromisso com a floresta.”
Perguntas frequentes
O que faz um engenheiro florestal?
Atua em manejo florestal, reflorestamento, licenciamento ambiental, recuperação de áreas degradadas, gestão ambiental e diversos projetos ligados ao uso sustentável dos recursos naturais.
Qual é a função da AREF?
Representar os engenheiros florestais de Rondônia, promover qualificação profissional e defender os interesses da categoria junto às instituições públicas e privadas.
Como a tecnologia está mudando a profissão?
Ferramentas como drones, GPS, georreferenciamento e imagens de satélite tornaram os levantamentos ambientais mais rápidos, precisos e eficientes.
Qual é um dos maiores desafios atuais da profissão?
A regularização fundiária ainda limita diversos projetos ambientais e produtivos, impactando diretamente o exercício profissional.
Por que a engenharia florestal é importante para Rondônia?
Porque contribui para conciliar preservação ambiental, geração de empregos, produção sustentável e desenvolvimento econômico.
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Fonte: News Rondônia