A fabricação de produtos alimentícios consolidou-se como o motor do emprego industrial brasileiro em 2024, empregando 2,1 milhões de pessoas. O levantamento, parte da Pesquisa Industrial Anual (PIA) divulgada nesta quarta-feira (24) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostra que o setor foi o principal responsável pela força de trabalho no país, em um universo de 8,7 milhões de ocupados em 358,4 mil empresas industriais. A receita líquida total da indústria nacional alcançou 6,8 trilhões de reais, sendo que a transformação alimentícia respondeu por 23% desse montante.
Estrutura e produtividade
A pesquisa destaca a disparidade de escala: empresas com 500 ou mais funcionários detêm quase 68% da receita líquida total. Em termos de remuneração, o salário médio geral na indústria foi de 3 salários mínimos, com discrepâncias acentuadas entre os setores. Enquanto a indústria de transformação pagou, em média, 2,9 salários, o setor de extração de petróleo e gás natural liderou o ranking com 17,5 salários mínimos. A extração também foi a atividade de maior produtividade, gerando 13,3 milhões de reais por pessoa ocupada.
Concentração e perfil regional
A estrutura industrial brasileira permanece concentrada na Região Sudeste, que responde por 60,3% do Valor de Transformação Industrial (VTI). São Paulo lidera o ranking nacional com 34,5% do VTI, impulsionado pela diversidade produtiva. A relevância da produção alimentícia é um traço nacional, sendo a principal atividade industrial em 18 das 27 unidades da federação. O estudo também apontou particularidades regionais, como a Zona Franca de Manaus, que torna o Amazonas o único estado com o polo de produtos eletrônicos e ópticos como atividade predominante.
Segundo o gerente de Análise e Disseminação da pesquisa, Marcelo Miranda, os dados reforçam a dependência da economia brasileira em relação à cadeia de alimentos, que abrange desde o campo até a transformação industrial. O VTI, métrica utilizada para medir a riqueza efetivamente gerada pela indústria, atingiu 2,6 trilhões de reais em 2024. A divulgação, que cobre informações coletadas após o fechamento do ano fiscal, é uma ferramenta estrutural para entender o comportamento do parque fabril nacional e suas dinâmicas de mercado e emprego.
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Fonte: News Rondônia