O cenário de violência contra a mulher no Brasil ganhou contornos mais precisos com a divulgação de dados pelo Ministério das Mulheres nesta segunda-feira (22). De janeiro a maio de 2026, a Central de Atendimento à Mulher (Ligue 180) registrou 16.725 denúncias de crimes ocorridos no ambiente virtual, um aumento expressivo de 188,6% em comparação ao mesmo período de 2025. O salto colocou a categoria na quinta posição entre os registros mais frequentes do serviço.
Qualificação e acolhimento
Para lidar com a complexidade dos crimes digitais, que incluem chantagem, perseguição e a exposição não consentida de conteúdo íntimo, o Ministério das Mulheres capacitou cerca de 350 atendentes do Ligue 180. A atualização do protocolo de atendimento visa orientar as vítimas de forma mais eficaz sobre os procedimentos legais e técnicos necessários após uma agressão virtual. Segundo a ministra Márcia Lopes, o crescimento no número de denúncias não significa apenas o aumento da violência, mas também uma possível redução da subnotificação, fruto de maior confiança das vítimas no acolhimento oferecido pelo Estado.
Proteção no ambiente virtual
A modernização do atendimento coincide com a entrada em vigor do decreto presidencial nº 12.976/2026, que estabelece deveres rigorosos para plataformas digitais. Entre as inovações, o texto fixa o prazo de duas horas para que empresas removam imagens não consentidas de nudez ou sexo, equiparando inclusive as montagens geradas por inteligência artificial (deep nudes) às imagens reais.
A diretora da Secretaria de Políticas Digitais da Secom, Marina Pita, ressaltou que a medida busca garantir que a violência não expulse as mulheres da internet. “Garantimos a liberdade de expressão ao assegurar que as mulheres possam se manifestar sem serem silenciadas por ataques”, afirmou. O perfil das vítimas no Ligue 180 revela que mulheres negras e na faixa etária entre 25 e 49 anos são as que mais sofrem com a violência no meio digital, evidenciando a necessidade de políticas públicas transversais para combater não apenas a misoginia, mas também as desigualdades socioeconômicas que vulnerabilizam o público feminino.
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Fonte: News Rondônia