A intolerância religiosa contra a mulher muçulmana no Brasil alcançou níveis alarmantes. De acordo com a 3ª edição do Relatório de Islamofobia do Brasil, produzido pelo Grupo de Antropologia em Contextos Islâmicos e Árabes (Gracias), da USP, oito em cada dez fiéis do islamismo no país já foram vítimas de ataques motivados por sua fé. O levantamento, divulgado no último sábado (20), ouviu 328 mulheres e destaca que brasileiras convertidas são o grupo mais atingido, com 84,5% de incidência de casos.
Impactos no cotidiano e carreira
A discriminação se manifesta de formas diversas, sendo recorrente em locais de grande circulação e exposição, como as ruas (36,4%), ambientes virtuais (30,9%) e no mercado de trabalho (19,7%). Relatos colhidos pelos pesquisadores revelam situações de violência psicológica severa, incluindo associações preconceituosas a atos terroristas e demissões motivadas exclusivamente pelo uso do véu islâmico.
Para a coordenadora do grupo de pesquisa, a professora Francirosy Campos Barbosa, o preconceito é alimentado por uma visão estereotipada e colonizada, que ignora a pluralidade e a devoção das seguidoras da religião. Os impactos dessas agressões são profundos, com muitas vítimas relatando quadros de depressão, ansiedade e a necessidade de abandonar carreiras para fugir do estigma.
Desafio nas denúncias e redes sociais
A subnotificação é um dos obstáculos para o enfrentamento do problema: apenas 6% das brasileiras convertidas registram boletins de ocorrência, devido à descrença na eficácia das investigações policiais. O ambiente virtual também se mostra hostil, sendo o Instagram a rede social com maior concentração de agressões, seguida por Facebook, WhatsApp, TikTok e X.
Embora empresas como a Meta aleguem possuir diretrizes rígidas contra discursos de ódio baseados em religião e raça, especialistas criticam a eficácia dessas políticas. Para os pesquisadores, a moderação de conteúdo nas plataformas muitas vezes minimiza a gravidade das ameaças, permitindo que a islamofobia continue sendo replicada e amplificada entre diferentes públicos. O relatório sublinha a urgência de políticas públicas e corporativas mais eficazes para garantir a segurança e o respeito às mulheres muçulmanas no Brasil.
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Fonte: News Rondônia