O Real Forte Príncipe da Beira, um dos mais importantes patrimônios históricos da Amazônia brasileira, celebrou 250 anos de existência nos dias 19 e 20 de junho, em Costa Marques, município localizado às margens do rio Guaporé, na fronteira entre Brasil e Bolívia.
Considerado a maior fortificação militar portuguesa construída fora da Europa durante o período colonial, o monumento representa um marco da ocupação da região amazônica e da consolidação das fronteiras brasileiras. A programação comemorativa reuniu autoridades civis e militares, além de representantes de instituições ligadas à preservação do patrimônio histórico nacional.
Programação comemorativa reuniu cultura, educação e homenagens
As celebrações tiveram início no dia 19 de junho com uma série de atividades culturais e institucionais. Entre os destaques estiveram a apresentação da banda militar, o lançamento de um selo comemorativo alusivo aos 250 anos do forte e a entrega de diplomas aos vencedores de um concurso literário promovido junto às escolas da região.
A iniciativa buscou incentivar estudantes a conhecerem e valorizarem a história do Real Forte Príncipe da Beira, fortalecendo a preservação da memória regional entre as novas gerações.
Solenidade militar marcou o ponto alto das comemorações
No dia 20 de junho, ocorreu a cerimônia principal de celebração dos 250 anos da fortificação. A solenidade contou com a presença da embaixadora de Portugal no Brasil, oficiais-generais do Exército Brasileiro, autoridades militares, o deputado federal Coronel Chrisóstomo e representantes de órgãos responsáveis pela preservação do patrimônio histórico nacional.
Também participou do evento o presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), reforçando a relevância do monumento para a história e a cultura brasileiras.
A programação incluiu ainda apresentações culturais realizadas no próprio forte, valorizando a identidade regional e o patrimônio histórico de Rondônia.
Símbolo da defesa e da presença brasileira na Amazônia
Construído no século XVIII com a missão de proteger os limites da então colônia portuguesa, o Real Forte Príncipe da Beira desempenhou papel estratégico na defesa territorial da Amazônia.
Localizado em uma área de grande importância geopolítica, o monumento permanece como símbolo da soberania nacional e da presença brasileira na faixa de fronteira.
Atualmente, o 1º Pelotão Especial de Fronteira, subordinado ao 6º Batalhão de Infantaria de Selva, mantém atuação permanente na região, contribuindo tanto para a proteção da fronteira quanto para a conservação do patrimônio histórico.
Reconhecimento internacional amplia importância do monumento
Em 2025, o Real Forte Príncipe da Beira recebeu da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) o reconhecimento de “Proteção Reforçada”, distinção que evidencia sua relevância histórica, cultural e militar para a humanidade.
O reconhecimento internacional fortalece os esforços de preservação do monumento e amplia sua visibilidade como destino de turismo histórico e cultural na Amazônia.
Durante as comemorações dos 250 anos do Real Forte Príncipe da Beira, o comandante do Exército Brasileiro, General Tomás Miguel Miné Ribeiro Paiva, destacou o significado do monumento para a história nacional.
Ao citar uma das mais conhecidas frases do Marechal Luiz Alves de Lima e Silva, o Duque de Caxias, patrono do Exército Brasileiro, o comandante reforçou os valores de patriotismo, soberania e compromisso com a defesa do território nacional.
“Sigam-me os que forem brasileiros.”
O general também ressaltou a importância cultural e patrimonial da fortificação para a preservação da memória nacional.
“Destaca-se, ainda, a dimensão cultural e patrimonial do Forte Príncipe da Beira. A preservação de estruturas como essa não se limita à proteção de bens materiais, mas representa a salvaguarda da memória nacional e dos valores que balizam a identidade brasileira. Ao reconhecer e proteger esse patrimônio, o Brasil reafirma sua história e projeta, para as futuras gerações, o sentido de pertencimento e continuidade.”
Segundo o comandante, a proteção e valorização do Real Forte Príncipe da Beira contribuem para fortalecer a identidade nacional e garantir que as futuras gerações compreendam a importância histórica da presença brasileira na Amazônia.
Patrimônio que atravessa gerações
Com dois séculos e meio de existência, o Real Forte Príncipe da Beira permanece como um dos principais símbolos da história de Rondônia e do Brasil. Sua preservação representa não apenas a conservação de uma estrutura militar histórica, mas também a valorização da memória dos povos que contribuíram para a formação da Amazônia brasileira.
A celebração dos 250 anos reafirma o compromisso com a preservação desse patrimônio, permitindo que futuras gerações conheçam o legado deixado por uma das mais importantes fortificações da história nacional.
Mesmo localizado em uma região de difícil acesso, o monumento continua despertando interesse de pesquisadores, historiadores, militares e visitantes, consolidando-se como referência para o turismo histórico e cultural em Rondônia.
As comemorações realizadas em Costa Marques reforçaram a importância do Real Forte Príncipe da Beira como símbolo de resistência, identidade nacional e soberania, mantendo viva uma história que atravessa séculos e permanece fundamental para a compreensão da formação territorial do Brasil.
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Fonte: News Rondônia