O Brasil registrou um crescimento de 11% nos pedidos de asilo ao longo de 2025, acompanhando uma tendência global de aumento nos deslocamentos forçados. Segundo dados da Agência da ONU para Refugiados (Acnur), as Américas tornaram-se a principal região de refúgio no mundo, superando o Oriente Médio e a África, com um contingente de 22,8 milhões de pessoas deslocadas. A data de 20 de junho, Dia Mundial do Refugiado, reforça o alerta para a necessidade de políticas de longo prazo que garantam autonomia, emprego e inclusão social a quem buscou proteção no país.
Celebração e resistência no Rio de Janeiro
Para marcar a data, o Sesc Tijuca, no Rio de Janeiro, sedia neste final de semana a feira Rio Refugia. Reconhecido como patrimônio cultural imaterial do estado, o evento promove o intercâmbio cultural e a geração de renda para refugiados de diversas nacionalidades, como Venezuela, Síria, Angola e Nigéria. A feira destaca o empreendedorismo e a qualificação de pessoas que, muitas vezes, enfrentam preconceitos ao chegar ao país.
Anitha Agossou, refugiada do Benim e mestre em Comunicação e Marketing, enfatiza a necessidade de combater o estigma contra essa população. “Quando a gente é refugiada, pensam que a gente vem da pobreza, do mato. Mas a gente saiu de um lugar de privilégio porque precisava vir para cá. Muitos olham com desprezo, com medo, achando que não temos educação”, relata.
Desafios e gargalos na integração
Embora o Brasil possua uma legislação de acolhimento considerada modelo internacional, instituições que atuam na ponta, como o Pares Cáritas, apontam gargalos operacionais. Somente no primeiro trimestre deste ano, a organização realizou 1,2 mil atendimentos a indivíduos de quase 60 nacionalidades.
Segundo a coordenadora geral da instituição, Aline Thuler, o principal obstáculo enfrentado pelos refugiados é a reinserção no mercado de trabalho formal. “Há muita gente com graduação e mestrado que não consegue trabalhar na sua área. A burocracia para validar diplomas é imensa e exige documentos que muitos refugiados não têm como obter”, explica. Esse cenário de subutilização da mão de obra qualificada aumenta a vulnerabilidade do grupo à exploração laboral.
A campanha da Acnur para este ano, sob o lema “Até Cada Pessoa Estar a Salvo”, convoca a sociedade civil a defender o direito ao asilo. A mensagem central é de que proteger uma pessoa refugiada é, na prática, fortalecer os pilares de proteção de toda a sociedade, promovendo a independência e a dignidade de quem escolheu o Brasil para reconstruir suas vidas.
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Fonte: News Rondônia