Pesquisadores do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), em parceria com o Movimento Pessoas à Frente e a Fundação Lemann, divulgaram nesta terça-feira (16) três estudos sobre a elite do serviço público brasileiro. A pesquisa, intitulada Lideranças Públicas no Brasil, analisou dados entre 1999 e 2025 para traçar o perfil e a trajetória de ocupantes de cargos de direção, chefia e assessoramento.
Desigualdade racial e de gênero
Os dados evidenciam que, apesar do crescimento gradual, a ocupação de postos estratégicos ainda é desigual. No período analisado, 75% dos cargos de direção foram ocupados por homens e 78% por pessoas brancas. Pretos e pardos representaram, respectivamente, 3% e 14%. Embora mulheres tenham alcançado a marca de quase 40% de participação em posições de liderança especialmente com aceleração a partir de 2022, a sub-representação persiste quando comparada à pluralidade da demografia brasileira. Ministérios como o da Igualdade Racial e o das Mulheres apresentam os índices mais elevados de diversidade.
Burocracia técnica e o mito do indicação política
A pesquisa contesta a visão de que o topo do serviço público é ocupado predominantemente por indicações políticas sem qualificação. Entre os ocupantes de cargos de alto escalão, 63% são servidores concursados e 75% possuíam experiência prévia no setor público antes de assumir a função. O perfil acadêmico também é alto, com 86% dos dirigentes possuindo ensino superior completo, enquanto apenas 16% possuem filiação partidária formal.
Mobilidade e o “efeito bumerangue”
Os estudos revelam que a alta liderança no Executivo federal é marcada por uma intensa circulação de quadros. Embora 57% dos episódios em um cargo específico durem até dois anos, 79% dos dirigentes assumem novas posições de chefia em outros órgãos após esse período. Esse fenômeno demonstra um acúmulo de memória institucional e profissionalização na gestão. Os dados apontam, ainda, um “efeito bumerangue”, onde 44% dos dirigentes que deixam uma pasta retornam a ela posteriormente, consolidando uma elite burocrática experiente.
O coordenador do projeto, Felix Lopez, pontua que a realidade da gestão estatal brasileira é mais complexa do que os extremos do debate público, que oscila entre a visão de cargos como “moeda de troca” política e a de uma burocracia puramente técnica. Os resultados detalhados da pesquisa estarão disponíveis na próxima edição do Boletim de Análise Político-Institucional (Bapi), no portal do Ipea.
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Fonte: News Rondônia