Coluna Ponto Crítico – Por Felipe Corona
Ex-prefeito de Cacoal luta para desvincular imagem de Marcos Rocha e companhia, mas governador empurrou goela abaixo máquina eleitoral e “poder” que tem nas mãos
Furiazinha
Quem ainda tinha dúvidas sobre o estilo de Adailton Fúria (PSD) ganhou uma boa amostra durante sua participação no podcast RD Entrevista, comandado pelo jornalista Vinicius Canova. Entre provocações, ironias direcionadas aos adversários e algumas alfinetadas bem calculadas, o ex-prefeito de Cacoal procurou transmitir a imagem de alguém preparado para administrar Rondônia. Pelo menos no campo do discurso, demonstrou confiança de sobra.
Furiazinha 2
Durante a entrevista, Fúria fez questão de afirmar que, caso seja eleito governador, sua gestão não será uma simples continuação do governo Marcos Rocha (PSD), o que eu acho que é uma baita lorota.
Furiazinha 3
A declaração chamou atenção porque ambos pertencem ao mesmo partido e compartilham boa parte da mesma estrutura política. Mas, em período pré-eleitoral, independência virou um ativo valioso, mesmo quando temperada com hipocrisia e falso moralismo.
Eleitor
Fúria também afirmou que o governador Marcos Rocha não é seu apoiador político, mas apenas seu eleitor. A frase certamente entrou para a coleção das definições mais criativas da pré-campanha. Afinal, não é todo dia que um governador do mesmo partido, que participa das articulações políticas e integra o mesmo projeto eleitoral, é reduzido à condição de simples eleitor. O cidadão comum talvez ainda esteja tentando resolver essa equação.
Eleitor 2
Lembrando que Expedito Júnior (ex-presidente estadual do PSD) e Fúria indicaram várias pessoas para cargos de alto escalão e salários fabulosos no governo Marcos Rocha. Mas acho que o ex-prefeito de Cacoal acredita que o eleitor é bobo e vai acreditar nessa falácia dele: “componho o governo dele, mas ele não vai participar da minha campanha”, é o que ele deve ter pensado em linhas gerais.
Negou
Falando em explicações políticas, Fúria negou qualquer participação na indicação do médico neurologista Edilton dos Santos para o comando da Secretaria de Estado da Saúde (Sesau). Segundo ele, a escolha não passou por suas mãos.
Revelaram
Nos bastidores do Palácio Rio Madeira, porém, versões diferentes circulam nos corredores. Fontes ligadas ao governo afirmam que a indicação teria sido articulada por Euclides Cridão, de Cacoal, e pelo secretário-adjunto da Sedam, Gilmar Oliveira de Souza.
Tô, mas não tô
O problema para Fúria é que, mesmo negando envolvimento direto, o desgaste provocado pela crise da saúde pública acaba respingando em seu entorno político. Na política, às vezes não é preciso segurar o fósforo para sair chamuscado pelo incêndio.
Disputa
E Marcos Rocha teve reuniões tensas com Fúria e seus aliados. O governador impôs (essa é a palavra certa) que sua esposa fosse a coordenadora-geral da campanha do pré-candidato ao governo. Furinha sapateou pra cá e para lá, tentando se desvencilhar das garras de Rochinha, mas não conseguiu.
Disputa 2
Rochinha ameaçou também demitir todas as indicações feitas por Fúria e companhia. O ex-prefeito titubeou, porém, aceitou engolir o sapo cururu. Mexe daqui, mexe dali, o governador encontrou um triunvirato da sua confiança para colocar a mão na campanha de Fúria (não se sabe se isso é bom ou ruim).
Disputa 3
Luana Rocha vai dividir o comando da campanha com Massud Badra (secretário de Educação) e Elias Rezende (secretário da Casa Civil). Com isso, Rocha quer dar a impressão de haverá divisão nas decisões, o que na prática será apenas uma cortina de fumaça. Quem vai mandar de verdade é a primeira-dama.
Futuro
Resta saber como Fúria vai aproveitar o pouco capital político de Marcos Rocha, que hoje, só deve ter o apoio dos milhares de funcionários comissionados do seu (des)governo. Digamos que há 10 mil cargos no governo. Se somam aí os seus familiares e afins e a conta chega a uns 100 mil votos, com muito esforço.
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Com a popularidade chegando no nível do pré-sal, Rocha ainda acredita (dentro da sua bolha) que Fúria será eleito com ele participando diretamente da campanha de Fúria. O que é um sonho, já que o pior governador de Rondônia deixou a saúde pública em frangalhos e a segurança pública só não está pior pelo esforço dos praças da PM (soldados, cabos e sargentos).
Fogo amigo
Em algumas entrevistas, o ex-prefeito de Cacoal fez duras críticas ao governador (seu suposto aliado e companheiro de partido) nas áreas da saúde, educação e segurança pública. Fúria quer tentar desvincular a imagem de Marcos Rocha. Mas isso será bem difícil, seja pelos cargos indicados por ele ou pela presença direta ou indireta do “amigo do Bolsonaro” em seu palanque.
Âncoras
E falando no título desta coluna, se Fúria não se cuidar, suas âncoras eleitorais o puxarão para o fundo das águas do Rio Madeira. Ele sabe bem que a maior delas é o homem que colocou a mão na sua campanha. Aí tem as menores que o acompanham, especialmente aquela que teve uma “epifania” em uma entrevista a um famoso podcast e disse que seria eleita deputada federal com 100 mil votos.
*Parte desta coluna foi escrita com informações divulgadas pela coluna Falando Sério, escrita por Hebert Lins, no dia 26 de maio.
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Fonte: Tribuna Popular