“O argumento de que o desenvolvimento depende da destruição não se sustenta. Porque, se você desmata e destrói os recursos hídricos, a agricultura também é afetada, pois depende da água.” A fala enfática pertence a uma das maiores lideranças ambientais do Brasil, a ativista rondoniense Neidinha Suruí, da Associação de Defesa Etnoambiental Kanindé, e revela uma preocupação antiga da ambientalista com os discursos que associam desenvolvimento econômico à devastação das florestas brasileiras.
O depoimento integra o documentário Ponto de Virada, produzido pela WWF-Brasil, no qual também participa o líder indígena Almir Narayamoga Suruí. Para ele, a sustentabilidade é uma ferramenta fundamental para conter a destruição dos biomas. “É possível desenvolver economicamente a Amazônia sem impactar o meio ambiente”, afirma.
Com base nesses depoimentos, o vídeo apresenta iniciativas desenvolvidas ao longo de décadas pelo povo Paiter Suruí de Cacoal como exemplos de boas práticas no uso da terra, conciliando desenvolvimento e preservação ambiental. “Isso é o que o povo Paiter Suruí sempre fez: proteger a sua floresta. Se as pessoas querem falar de economia, nós também conseguimos mostrar que a maior economia está na floresta em pé”, destaca Txai Suruí.
O documentário reúne ainda relatos de outras lideranças indígenas Suruí que defendem o uso sustentável do território em conformidade com as legislações ambientais. “As pessoas veem isso como uma floresta, mas eu, como indígena, não vejo apenas uma floresta. Isso é a minha vida. É a minha casa. Faz parte de mim”, relata uma das participantes.
Na produção, a WWF-Brasil questiona quais caminhos podem garantir a preservação da Amazônia e enfatiza que a resposta está nas soluções baseadas na natureza. Segundo a organização, estudos científicos demonstram que a floresta em pé gera mais benefícios ambientais, sociais e econômicos do que áreas desmatadas.
O documentário destaca que as iniciativas do povo indígena Paiter Suruí, de Rondônia, combinam conservação florestal, fortalecimento cultural e geração de renda sustentável. Ao mesmo tempo, reúne vozes da ciência indígena e acadêmica para evidenciar soluções capazes de evitar que a Amazônia alcance um ponto de não retorno. “Precisamos fazer com que as pessoas entendam que elas também fazem parte da natureza, que elas também são natureza”, conclui Txai Suruí.
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Fonte: News Rondônia