A eleição presidencial peruana registra uma disputa acirrada nesta segunda-feira (8). Com 93,9% das urnas processadas pela Oficina Nacional de Processos Eleitorais (ONPE), o candidato de esquerda Roberto Sánchez alcançou 50,008% dos votos, superando numericamente a direitista Keiko Fujimori, que soma 49,992%. A diferença entre os dois é de apenas 2.942 votos, em um cenário onde ainda restam aproximadamente 4,6 mil urnas para serem contabilizadas.
Cenário de incerteza
A indefinição persiste devido à origem das atas que ainda faltam ser processadas. Segundo o professor Gustavo Menon, da Universidade de São Paulo (USP), as urnas pendentes concentram-se tanto no exterior, onde a tendência é favorável a Fujimori, quanto na região serrana e nos Andes, redutos onde Sánchez possui larga vantagem.
O vencedor governará o país pelo período de 2026 a 2031. O Peru enfrenta uma década de instabilidade política, marcada por renúncias e destituições presidenciais que fragilizaram a governança nacional.
Perfis dos candidatos
Keiko Fujimori: Filha do ex-ditador Alberto Fujimori, Keiko busca sua primeira vitória presidencial após três derrotas consecutivas em segundos turnos (2011, 2016 e 2021). Sua plataforma defende uma aproximação estratégica com o governo dos Estados Unidos e políticas rígidas de segurança.
Roberto Sánchez: Psicólogo e ex-ministro de Pedro Castillo, Sánchez representa a ala que defende a convocação de uma Assembleia Constituinte para substituir a Constituição de herança fujimorista. Durante a campanha, o candidato moderou seu discurso econômico, abandonando propostas de nacionalização, mas mantendo o foco em reformas trabalhistas para a formalização do setor informal.
Disputa geopolítica
O resultado é acompanhado com atenção internacional devido ao papel do Peru na América do Sul. A eleição é vista como um ponto de inflexão para o país, que equilibra a influência de investimentos chineses com a crescente pressão dos Estados Unidos para integrar o país em blocos de combate a grupos criminosos transnacionais. Enquanto Keiko alinha-se ao governo Trump, Sánchez representa uma continuidade dos movimentos rurais e indígenas que, nos últimos anos, protagonizaram embates diretos com o Legislativo peruano.
Veja mais notícias
Fonte: News Rondônia