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Sífilis cresce em silêncio e especialista faz alerta urgente sobre diagnóstico precoce

A sífilis é uma doença conhecida há séculos, mas continua sendo um desafio para a saúde pública. Apesar de possuírem diagnóstico simples e tratamento eficaz, os casos da infecção seguem em crescimento no Brasil, especialmente entre adultos jovens e gestantes.
Segundo a médica infectologista e docente da Afya São Lucas, Rayra Menezes de Almeida, a combinação de fatores comportamentais e falhas no diagnóstico precoce ajuda a explicar esse cenário. “A sífilis continua sendo uma doença muito comum. Observamos um aumento de casos nos últimos anos, impulsionado principalmente pela redução do uso de preservativos, múltiplos parceiros sexuais e pelo fato de muitas pessoas estarem infectadas sem saber, transmitindo a doença de forma silenciosa”, explica.
Um dos principais desafios no combate à sífilis é que nem sempre provoca sintomas evidentes. Na fase inicial, costuma surgir uma ferida indolor na região de contato sexual, conhecida como cancro duro, que desaparece espontaneamente após algumas semanas. “O desaparecimento da ferida faz muitas pessoas acreditarem que o problema foi resolvido, quando na verdade a bactéria continua presente no organismo”, alerta a especialista.
Nas fases seguintes, podem surgir manchas pelo corpo, febre, mal-estar e aumento dos gânglios. No entanto, em muitos casos, a doença entra em uma fase chamada latente, permanecendo sem sintomas por anos. “O grande problema é que muitas pessoas não apresentam sinais claros ou confundem os sintomas com outras doenças. Isso contribui para o atraso no diagnóstico e para a continuidade da transmissão”, destaca.
Transmissão ocorre principalmente por relações sem proteção
A sífilis é transmitida principalmente por relações sexuais desprotegidas, sejam elas vaginais, anais ou orais. A infecção também pode ser passada da mãe para o bebê durante a gestação ou no momento do parto.
De acordo com a infectologista, alguns comportamentos aumentam significativamente o risco de contaminação. “Ter múltiplos parceiros sexuais, não utilizar preservativo regularmente e já possuir outras infecções sexualmente transmissíveis são fatores que elevam o risco de adquirir e transmitir a doença”, afirma.
Embora a sífilis possa provocar consequências severas quando não tratada, a boa notícia é que a doença tem cura.
O tratamento é realizado com penicilina benzatina, aplicada por injeção intramuscular, e varia conforme o estágio da infecção. “Quanto mais cedo o tratamento é iniciado, menores são os riscos de complicações e de transmissão para outras pessoas. Além disso, os parceiros sexuais também precisam ser avaliados para evitar novos casos”, explica Rayra.
Quando negligenciada, a doença pode atingir órgãos importantes, como coração e sistema nervoso, provocando sequelas permanentes.
Entre os grupos que exigem atenção especial estão as gestantes. A transmissão da sífilis para o bebê pode provocar consequências graves, inclusive antes do nascimento. “Sem tratamento adequado, a infecção pode causar aborto, parto prematuro, morte fetal e sífilis congênita. Os bebês podem nascer com alterações neurológicas, surdez, cegueira e deformidades ósseas”, alerta a médica.
O diagnóstico da sífilis pode ser feito por meio de exames de sangue e testes rápidos, disponíveis gratuitamente nas unidades de saúde. “O teste rápido permite identificar a infecção em poucos minutos. Por isso, pessoas sexualmente ativas, especialmente aquelas com múltiplos parceiros ou que tiveram relações desprotegidas, devem procurar a testagem regularmente”, orienta a infectologista.
Para a especialista, informação, prevenção e diagnóstico precoce continuam sendo as principais ferramentas para reduzir os casos da doença. “A sífilis tem cura, mas o sucesso do tratamento depende de identificação precoce e acompanhamento adequado. Quanto mais cedo o diagnóstico for realizado, maiores são as chances de evitar complicações e interromper a cadeia de transmissão”, conclui.
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Fonte: News Rondônia

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