Um levantamento inédito do Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação de Rua da Universidade Federal de Minas Gerais (OBPopRua/POLOS-UFMG) expõe a gravidade da violência contra essa parcela da população. Entre 2014 e 2023, foram registrados 150 mil episódios de violência, mas pesquisadores alertam que os números oficiais refletem apenas a ponta do iceberg, visto que 70% das vítimas não buscam atendimento devido a barreiras institucionais.
Perfil das vítimas e a estrutura da violência
O perfil das vítimas reflete desigualdades históricas, sendo que 78% das notificações envolvem pessoas pretas e pardas. Jovens entre 15 e 49 anos representam 82% dos ataques. Além disso, embora a maioria das vítimas seja masculina, mulheres e pessoas trans enfrentam maior risco de letalidade nas agressões.
A agressão física é a forma mais recorrente (65%), seguida pela violência psicológica (42%). A negligência e o abandono compõem 18% dos casos, enquanto a violência sexual atinge 15% das vítimas. Cerca de 70% das ocorrências se dão em vias públicas, tornando o espaço urbano um ambiente de alto risco.
Aporofobia e desafios estruturais
A maioria das agressões é praticada por desconhecidos, um comportamento associado à aporofobia, que é a aversão ou hostilidade direcionada a pessoas pobres. Também há denúncias envolvendo agentes do Estado, especialmente em ações de zeladoria urbana, que incluem a retirada forçada de pertences e expulsões com jatos de água.
O professor André Luiz Freitas Dias, coordenador da pesquisa, enfatiza que a solução exige políticas estruturantes como moradia, trabalho e educação. O Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, que registrou 6.381 casos de violência em 2024, aponta o programa Cidadania PopRua, lançado em março de 2026, como medida para integrar serviços de acolhimento e proteção social.
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Fonte: News Rondônia