O governo brasileiro reagiu com firmeza à conclusão preliminar da investigação aberta pelos Estados Unidos sob a Seção 301 da legislação comercial norte-americana. Em nota oficial divulgada nesta terça-feira (2), o Palácio do Planalto contestou os argumentos de Washington, classificou a medida como uma tentativa de interferência em assuntos internos e afirmou que não há justificativa para sanções unilaterais.
Articulação política e dados comerciais
Segundo o Executivo, a investigação teria sido motivada por articulações da família Bolsonaro junto a autoridades dos EUA. O Planalto afirmou que essas investidas contam com o apoio de “falsos patriotas” que utilizam cargos públicos para conspirar contra os interesses nacionais.
Para o governo, a apuração ignora os dados do comércio bilateral, que favorecem historicamente os americanos:
Entre 2011 e 2025, os EUA acumularam um superávit de 424,5 bilhões de dólares nas trocas com o Brasil.
Apenas em 2025, esse saldo positivo foi de 40,5 bilhões de dólares.
Em 2025, 76% das importações vindas dos EUA entraram no Brasil sem cobrança de impostos.
A alíquota média aplicada aos produtos americanos no mercado brasileiro é de 3,1%.
Defesa de políticas internas
O governo rebateu críticas específicas incluídas na investigação:
Pix: O Planalto defende que o sistema é uma infraestrutura pública do Banco Central com regras isonômicas, não havendo restrição a empresas de tecnologia dos EUA.
Propriedade intelectual: O governo aponta que os EUA são os maiores beneficiários do sistema brasileiro de patentes, respondendo por cerca de 30% dos pedidos registrados no país.
Biocombustíveis: O Brasil afirma oferecer igualdade de condições a estrangeiros, enquanto destaca que o açúcar brasileiro enfrenta barreiras tarifárias de cerca de 80% nos Estados Unidos.
Meio ambiente: O governo argumenta que o desmatamento na Amazônia caiu 50% em relação a 2022 e que, em 2025, a devastação em todos os biomas atingiu o menor patamar dos últimos sete anos.
Apesar do tom duro, as negociações com Washington seguem em curso, conforme alinhado entre os presidentes Lula e Donald Trump em maio. A conclusão final da investigação do USTR está prevista para 15 de julho, e o Brasil sinalizou que poderá recorrer a mecanismos internacionais caso as medidas adotadas pelos americanos sejam consideradas incompatíveis com as regras do comércio global.
Veja mais notícias
Fonte: News Rondônia