Um estudo conduzido por pesquisadores noruegueses desafiou, nesta semana, o paradigma médico de que o emagrecimento gradual seria a única estratégia sustentável para o controle da obesidade. Apresentada no Congresso Europeu sobre Obesidade (ECO 2026), em Istambul, a pesquisa acompanhou 284 adultos durante um ano e demonstrou que um programa estruturado de perda rápida de peso foi mais eficaz, tanto na redução de medidas quanto na manutenção dos resultados a longo prazo, em comparação a métodos graduais.
Resultados e eficácia clínica
Os dados revelaram que, após 52 semanas, o grupo submetido ao emagrecimento rápido registrou uma perda média de 14,4% do peso corporal, enquanto o grupo de perda gradual atingiu 10,5%. Além da balança, o emagrecimento intensivo mostrou-se superior na conquista de metas clínicas de saúde: quase 30% dos participantes do programa rápido alcançaram um Índice de Massa Corporal (IMC) capaz de reduzir significativamente o risco de doenças crônicas, contra menos de 10% do grupo gradual.
Segundo a autora principal, Line Kristin Johnson, do Vestfold Hospital Trust, o sucesso do método reside na motivação gerada pelos resultados visíveis nas semanas iniciais. “Os resultados iniciais e visíveis podem aumentar a motivação. Isso, por sua vez, pode reforçar a adesão durante a fase crítica”, explicou a pesquisadora. A estratégia incluiu um acompanhamento rigoroso, com sessões presenciais, suporte virtual e transições estruturadas para a manutenção.
Segurança e contraindicações
Os autores da pesquisa fazem um alerta crucial: os resultados foram obtidos em um ambiente supervisionado e não devem ser replicados por conta própria. A tentativa de emagrecimento rápido sem orientação profissional pode resultar em deficiências nutricionais, perda de massa muscular e o indesejado efeito rebote, decorrente de adaptações metabólicas que aumentam a fome.
A abordagem não é recomendada para diversos perfis, incluindo gestantes, lactantes, idosos frágeis, pacientes com doenças crônicas graves, câncer ou histórico de transtornos alimentares. A pesquisadora ressalta ainda que a amostra do estudo foi composta majoritariamente por mulheres, o que limita a generalização para o público masculino. O ponto central para o sucesso, segundo Johnson, não é a rapidez em si, mas a estrutura e o apoio contínuo oferecido ao paciente durante toda a jornada de perda e manutenção do peso.
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Fonte: News Rondônia