No quarto dia de julgamento do caso Henry Borel, Kaylane de Oliveira Duarte Pereira, estudante de turismo de 18 anos, prestou depoimento no 2º Tribunal do Júri, no Rio de Janeiro. A jovem, filha de uma ex-namorada de Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho, relatou episódios de agressões físicas ocorridos entre os 3 e 7 anos de idade.
Segundo o relato de Kaylane, o réu costumava bater sua cabeça contra superfícies, torcer seu braço e desferir socos em sua cabeça. Além disso, a testemunha descreveu sessões de afogamento em uma piscina enquanto estava sob os cuidados do ex-vereador. A jovem afirmou que Jairinho a instruía a não contar nada à mãe e que, caso surgissem marcas, ela deveria atribuir os ferimentos às aulas de jiu-jitsu.
Violência psicológica e sentimento de culpa
Kaylane relatou que o ex-vereador frequentemente a submetia a pressão psicológica, dizendo que ela “atrapalhava” o relacionamento com sua mãe e que seria melhor se ela não existisse. A estudante desenvolveu medo de Jairinho, chegando a vomitar sempre que via o carro dele chegando.
Após o início do caso Henry Borel, Kaylane afirmou ter sofrido um “gatilho” de memória e passou a sentir culpa por não ter revelado as agressões anteriormente. A jovem decidiu procurar Leniel Borel, pai de Henry, para colaborar com o processo como forma de impedir que o réu voltasse a ferir outras crianças.
Depoimento da mãe e contexto do julgamento
Natasha de Oliveira Machado, mãe de Kaylane, também depôs e confirmou ter desconfiado, durante o relacionamento, que era dopada por Jairinho. Ela relatou que, em uma ocasião, flagrou o então vereador erguendo a filha de sua cama durante a madrugada, embora ele tenha alegado que a criança teria apenas acordado.
O julgamento, que conta com a presença do advogado de defesa Fabiano Lopes que retornou ao tribunal após sofrer um infarto no último sábado, também deve ouvir o depoimento de outra ex-namorada de Jairinho, Débora Mello Saraiva. Dr. Jairinho é acusado de homicídio qualificado, tortura, fraude processual e coação, enquanto Monique Medeiros, mãe de Henry, responde por crimes como homicídio, tortura e fraude processual.
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Fonte: News Rondônia