A Câmara dos Deputados aprovou a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que extingue a escala 6×1, modelo em que o trabalhador atua durante seis dias consecutivos e descansa apenas um. A proposta representa uma das maiores mudanças nas relações trabalhistas dos últimos anos, mas ainda precisa passar pela análise do Senado Federal antes de entrar em vigor.
Caso seja aprovada sem alterações pelos senadores, a PEC será promulgada e começará a produzir efeitos em até 60 dias. Se o Senado modificar o texto, a proposta retornará para nova votação na Câmara dos Deputados.
Quando o fim da escala 6×1 começa a valer?
De acordo com o texto aprovado, as novas regras entram em vigor 60 dias após a promulgação da PEC, mas haverá um período de transição para que empresas e empregadores possam se adaptar.
A implementação será feita gradualmente ao longo de até 14 meses.
Nos primeiros dois meses após a promulgação, a jornada semanal deverá ser reduzida em duas horas. Já a redução total prevista pela proposta deverá ser concluída em até 12 meses após essa primeira etapa.
A partir da entrada em vigor da PEC, os trabalhadores terão direito a duas folgas remuneradas por semana, sendo que uma delas deverá ocorrer, preferencialmente, aos domingos.
O que muda para os trabalhadores?
A proposta altera a Constituição Federal para estabelecer que a jornada normal de trabalho não poderá ultrapassar oito horas diárias e quarenta horas semanais.
Outro ponto importante é que a redução da carga horária deverá ocorrer sem qualquer redução salarial, garantindo que o trabalhador mantenha sua remuneração integral.
O texto também determina que acordos e convenções coletivas incompatíveis com as novas regras perderão validade automaticamente 60 dias após a promulgação da emenda, obrigando sindicatos e empresas a renegociarem contratos e jornadas.
Entre as principais mudanças estão:
Fim da escala 6×1;
Garantia de duas folgas remuneradas por semana;
Preferência para uma das folgas ocorrer aos domingos;
Jornada máxima de 40 horas semanais;
Redução da jornada sem corte salarial;
Revisão de acordos coletivos incompatíveis com a nova legislação.
Quem ficará fora das novas regras?
A PEC prevê exceção para profissionais com diploma de nível superior e remuneração equivalente a pelo menos duas vezes e meia o teto do INSS, valor que atualmente gira em torno de R$ 20 mil mensais.
Para esse grupo, não serão aplicadas as regras relacionadas à jornada de trabalho e ao controle de ponto.
Segundo os defensores da proposta, a medida busca ampliar a liberdade de negociação para profissionais de alta renda e reduzir a chamada “pejotização”.
Senado será decisivo para a mudança
Apesar da aprovação na Câmara, a proposta ainda enfrenta uma etapa importante no Congresso Nacional.
Como toda emenda constitucional, a PEC precisa ser aprovada em dois turnos no Senado. Somente após a conclusão desse processo legislativo será possível promulgar a medida e iniciar sua implementação.
O debate tem mobilizado trabalhadores, empresários, sindicatos e especialistas, que discutem os impactos da redução da jornada tanto na qualidade de vida dos profissionais quanto na produtividade das empresas.
Enquanto isso, milhões de trabalhadores acompanham a tramitação da proposta que pode redefinir a organização do trabalho no Brasil nos próximos anos.
Veja mais notícias
Fonte: News Rondônia