Um levantamento inédito da Blis Data, realizado com base em um banco de dados de pacientes de cannabis medicinal, revela que o perfil das consumidoras brasileiras é predominantemente feminino, maduro e profissionalmente ativo. Mulheres na faixa de 55 a 64 anos lideram o uso do tratamento (28,2%), seguidas pelo grupo de 45 a 54 anos (27,2%). Juntos, esses segmentos representam mais da metade das pacientes brasileiras. A pesquisa, que considerou uma amostra de mais de 7 mil mães em tratamento prescrito, reforça a tendência de aceitação do uso terapêutico da planta para o controle de condições crônicas.
O perfil socioeconômico das pacientes também chama a atenção: cerca de 79,9% possuem ocupação profissional e 75,1% mantêm uma rotina de exercícios físicos. A distribuição regional concentra-se fortemente no Sudeste (61,6%) e no Sul (19,7%), áreas que, somadas, abrangem mais de 80% dos usuários. O uso da cannabis medicinal não ocorre de forma isolada; sete em cada dez mães associam os fitocanabinoides a medicamentos convencionais, e metade das participantes da pesquisa iniciou o tratamento sem nunca ter tido contato prévio com a substância antes da prescrição médica.
Motivações e sintomas tratados
A busca por qualidade de vida na terceira idade e na maturidade é o motor principal para o início do acompanhamento. Distúrbios do sono (28,9%) e dor crônica (16,3%) configuram-se como as queixas mais comuns nos consultórios médicos. A saúde mental também ganha protagonismo no levantamento, com o transtorno de ansiedade respondendo por 14,9% dos casos, seguido pela depressão (9,2%). Condições como fibromialgia, estresse pós-traumático e TDAH também aparecem entre os motivos recorrentes para a procura por terapias baseadas na cannabis.
O estudo destaca que a incorporação desses medicamentos no cotidiano das pacientes reflete uma mudança de paradigma, onde a cannabis passa a ser vista como uma alternativa clínica complementar e integrada à medicina convencional. Com o acesso mais claro às informações e o respaldo de prescrições médicas formais, as mulheres brasileiras têm encontrado no tratamento uma via para o alívio de sintomas que, muitas vezes, não respondiam satisfatoriamente às terapias tradicionais, impactando positivamente a autonomia e o bem-estar dessas profissionais e mães.
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Fonte: News Rondônia