Um novo estudo intitulado “Juventudes Brasileiras Minorizadas”, divulgado nesta terça-feira (26), traz um mapeamento detalhado dos desafios impostos pela desigualdade social no Brasil. A publicação, fruto de uma parceria entre instituições como Fundação Roberto Marinho, Fundação Itaú, Iede e Unicef, reúne 14 artigos de especialistas e relatos de jovens, destacando como fatores de raça, renda, gênero e território formam barreiras históricas para a garantia de direitos básicos e oportunidades de desenvolvimento.
Os dados, baseados na PNAD Contínua 2025, indicam que o Brasil possui 46,5 milhões de jovens entre 15 e 29 anos, dos quais 7,9 milhões estão fora da escola sem concluir a educação básica. O cenário é agravado pela pobreza: 11,9 milhões de jovens vivem nessa condição, com uma disparidade racial acentuada, onde 74,9% dos jovens em extrema pobreza são negros. Para os pesquisadores, a necessidade de conciliar estudo com ocupações precárias e o difícil acesso à tecnologia são elementos que aprofundam a exclusão.
Desigualdades regionais e territoriais
O estudo demonstra que as vulnerabilidades são acentuadas em territórios específicos. Nas zonas rurais, a taxa de jovens fora da escola é o dobro da urbana, atingindo 33%, enquanto a informalidade no trabalho alcança 69% desse público. Entre indígenas e quilombolas, os indicadores de analfabetismo e atraso escolar refletem falhas históricas na rede de proteção e ensino. A discriminação também desempenha um papel central: jovens negros são vítimas de violência urbana em proporção quatro vezes maior que jovens brancos, e a comunidade LGBTQIAPN+ enfrenta barreiras constantes devido a agressões físicas e cyberbullying.
Trajetórias reais e a voz da juventude
A pesquisa buscou centralizar a voz dos próprios jovens na construção das análises. Natália Araújo, estudante e trabalhadora desde a adolescência, ressalta que a exceção de ser alcançada por projetos sociais não deve ser o modelo para a inclusão produtiva. A maternidade precoce também aparece como um fator de interrupção educacional: na faixa de 15 a 19 anos, 60,8% dos jovens com filhos não concluíram os estudos, um reflexo da falta de suporte institucional e políticas de conciliação.
O levantamento reforça a urgência de políticas públicas articuladas que considerem as especificidades de cada perfil minorizado. Segundo os organizadores, a invisibilidade estatística tradicional precisa ser superada com um olhar atento às 13 categorias estudadas, garantindo que a permanência escolar e o acesso ao trabalho digno não dependam de iniciativas isoladas, mas sim de uma estratégia de Estado que combata as desigualdades estruturais de forma perene.
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Fonte: News Rondônia