O Brasil ingressou na categoria de países com desenvolvimento humano “muito alto”, alcançando um IDHM de 0,805 em 2024. Contudo, o novo Radar IDHM, divulgado nesta terça-feira (26) pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), revela que essa marca média oculta abismos sociais persistentes. Segundo Betina Barbosa, coordenadora da Unidade de Desenvolvimento Humano do Pnud Brasil, a sustentabilidade econômica do país não é apenas uma questão ideológica, mas uma “equação matemática” que depende diretamente da inclusão da população negra na força produtiva.
“Quem sustentará o Brasil do futuro é um jovem negro”, afirmou Barbosa durante a apresentação dos dados em Brasília. Enquanto o IDHM da população branca atingiu 0,851 em 2024, o da população negra chegou a 0,774. A disparidade de renda é ainda mais drástica: um branco no Distrito Federal possui renda média de 1.987 reais, enquanto um negro no Maranhão vive com cerca de 440 reais. Para o Pnud, o esgotamento dos ganhos marginais entre a elite branca torna indispensável que o próximo ciclo de desenvolvimento seja ancorado nos ganhos de produtividade e qualidade de vida dos segmentos historicamente marginalizados.
Desafios do novo ciclo de desenvolvimento
O chefe do Pnud no Brasil, Claudio Providas, reforçou que o país enfrenta um paradoxo demográfico: a população em idade ativa está envelhecendo, e os jovens que restam para compor a força de trabalho são, em sua maioria, negros. O desafio central, segundo a entidade, é fechar a brecha entre as competências atuais dos brasileiros e as exigências do mercado globalizado, que demanda letramento digital, alta complexidade técnica e capacidade de inovação.
Para Providas, a análise dos dados exige que o Brasil encare a realidade de que mulheres negras e homens brancos habitam, estatisticamente, países diferentes. Embora o IDHM ajustado à desigualdade tenha avançado para o patamar “médio” (0,641), a distância entre os gêneros e raças permanece estagnada há mais de uma década. A superação desse cenário, defende o Pnud, não pode se limitar a programas sociais, exigindo um pacto nacional por investimentos estratégicos em infraestrutura, educação avançada e uma reforma no modelo de geração de renda.
Democracia e viabilidade do país
A entidade defende que a própria existência do Brasil, como nação democrática e viável, passa pelo diálogo da elite tradicional com a maioria da população não branca. “Se eu tenho políticas públicas voltadas para esses segmentos que ainda estão à margem, eu diminuo as desigualdades regionais e garanto o futuro do país”, concluiu Betina Barbosa. Os dados, calculados em parceria com a Fundação João Pinheiro e o IBGE, servem como um alerta para que o crescimento econômico futuro não apenas ocorra, mas seja, efetivamente, inclusivo.
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Fonte: News Rondônia