O Brasil registrou uma redução significativa na violência letal contra a juventude na última década. Segundo o Atlas da Violência 2026, divulgado nesta terça-feira (26) pelo Ipea e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, a taxa de homicídios de jovens entre 15 e 29 anos caiu 33,9% entre 2014 e 2024. Apesar do recuo, o número absoluto ainda é impactante: foram 301.825 jovens assassinados ao longo desse período, uma média de 75 vítimas por dia, consolidando esse grupo como o mais atingido pela violência no país.
Os dados mostram uma forte disparidade regional. Enquanto estados como Distrito Federal, Goiás e São Paulo alcançaram reduções expressivas nas taxas de homicídios nessa faixa etária, regiões como o Amapá e a Bahia apresentaram tendência de alta. Em 2024, o cenário foi marcado por uma concentração da violência em áreas periféricas e pobres, sendo 93,6% das vítimas jovens do sexo masculino. O uso de armas de fogo domina o perfil dos crimes, correspondendo a 84,1% dos assassinatos entre adolescentes de 15 a 19 anos.
O impacto nas crianças e adolescentes
Para as faixas etárias mais novas, o estudo também aponta dados preocupantes. Em 2024, o país perdeu, em média, 14 crianças e adolescentes (até 19 anos) por dia por homicídio. Enquanto a taxa de homicídios entre menores de 14 anos apresentou estabilidade ou queda acentuada ao longo da década, o impacto das armas de fogo cresce proporcionalmente à idade da vítima. Entre bebês de zero a quatro anos, a violência letal se manifesta por meios mais diversos e, frequentemente, com instrumentos de classificação desconhecida, indicando maior ocorrência de maus-tratos.
O coordenador do Atlas, Daniel Cerqueira, ressalta que a morte desses jovens é apenas o estágio final de um percurso de vulnerabilidade que se inicia na infância. “É um grito de alerta para tentar decidir o que a gente quer fazer com as nossas crianças, adolescentes e jovens”, afirmou, destacando que a ausência de proteção social e as falhas no ambiente doméstico são os primeiros indicadores de risco para a letalidade futura.
A necessidade de intervenção
A violência doméstica segue como o tipo de agressão mais comum contra menores de 20 anos, somando mais de 676 mil registros na última década. O Atlas reforça que prevenir a morte de jovens exige estratégias que integrem controle de armas, educação e, fundamentalmente, políticas de proteção ao infante dentro de casa. A identificação precoce de situações de risco e o fortalecimento da rede de cuidado são apontados como os caminhos mais eficazes para que o futuro da nação não seja interrompido precocemente pela violência.
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Fonte: News Rondônia