Neste 25 de maio, Dia da África, o continente se reafirma como um ator central na reconfiguração da economia global. Com uma população jovem e em crescimento, os países africanos têm aproveitado a ascensão da China e o interesse de outras potências para impulsionar o desenvolvimento de infraestruturas críticas. A China consolidou-se como o maior parceiro comercial do continente nos últimos 17 anos, movimentando 295 bilhões de dólares em 2024 e liderando investimentos pesados em portos, ferrovias e parques industriais sob o projeto da Nova Rota da Seda.
Diferente do histórico de intervenções militares europeias ou estadunidenses, a abordagem chinesa é percebida por especialistas como focada na diplomacia econômica. Em países como Angola e Costa do Marfim, o modelo de cooperação permite que as próprias lideranças africanas definam prioridades de investimento. Projetos como a expansão de refinarias em Angola e a construção de infraestrutura produtiva em Abidjan exemplificam o esforço para avançar na cadeia de valor global e reduzir a dependência da exportação de matérias-primas brutas.
Disputa por minerais e segurança
A crescente influência chinesa despertou uma resposta imediata de Washington. Os Estados Unidos, antes focados majoritariamente em ajuda humanitária, agora buscam reformular sua política externa para o continente com ênfase em comércio e acesso a minerais críticos. Estima-se que 30% das reservas mundiais desses insumos, fundamentais para a transição energética e tecnologias de ponta, estejam na África. Acordos recentes na República Democrática do Congo demonstram a urgência dos EUA em assegurar parcerias que controlem o fornecimento de cobalto e outros minerais estratégicos.
Apesar da concorrência, o protagonismo africano é visível na atuação da União Africana e na implementação da Zona de Livre Comércio Continental Africana (AfCFTA). O objetivo é integrar as economias locais e fortalecer a soberania política. A Agenda 2063 reflete esse projeto de unidade, buscando que o continente deixe de ser apenas um exportador de recursos para se tornar um mercado integrado e autônomo, capaz de negociar em melhores condições com o resto do mundo.
Desafios históricos e novas perspectivas
Apesar dos avanços, analistas apontam o risco de endividamento excessivo. O historiador Eden Pereira, da UFRJ, pondera que, embora os empréstimos chineses gerem benefícios de longo prazo em infraestrutura ao contrário de dívidas destinadas apenas ao consumo, o comprometimento fiscal requer cautela. A trajetória africana, marcada por séculos de exploração escravagista e colonialismo, vive hoje um momento de transição sistêmica.
Nações como África do Sul, Etiópia, Nigéria e Egito lideram a busca por uma margem de manobra mais ampla frente às grandes potências. Ao diversificar parcerias com países como Rússia e potências emergentes, o continente busca superar as heranças do neocolonialismo, pavimentando um caminho em que as relações externas sirvam, primordialmente, aos interesses de desenvolvimento e integração das nações africanas.
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Fonte: News Rondônia