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Glaucoma pode causar cegueira silenciosa: especialista alerta para mitos que atrasam o diagnóstico

Considerado uma das principais causas de cegueira no mundo, o glaucoma ainda é cercado por dúvidas e informações equivocadas. Silenciosa na maior parte dos casos, a doença pode evoluir por anos sem provocar sintomas perceptíveis, comprometendo gradualmente a visão e dificultando o diagnóstico precoce.
Segundo a médica oftalmologista e docente da Afya Ji-Paraná, Dra. Letícia Matos Bittencourt, um dos maiores desafios relacionados ao glaucoma é justamente o fato de muitas pessoas acreditarem que a ausência de sintomas significa ausência da doença. “Na maioria dos casos, o glaucoma é silencioso nas fases iniciais. A perda visual começa de forma periférica e lenta, passando despercebida. Quando os sintomas aparecem, muitas vezes o dano já é significativo e irreversível”, explica.
A especialista alerta que enxergar bem também não significa estar livre do problema. Isso porque a doença costuma preservar a visão central até fases mais avançadas. “Muitos pacientes mantêm boa acuidade visual mesmo já tendo alterações importantes no campo visual periférico. Por isso, o diagnóstico não depende apenas da percepção do paciente, mas de exames oftalmológicos regulares”, destaca.
Doença não afeta apenas idosos
Embora seja mais comum após os 40 anos, o glaucoma pode atingir pessoas de diferentes faixas etárias, incluindo jovens e até crianças, em casos congênitos ou secundários. “A idade é um fator de risco importante, mas não é o único. Histórico familiar, pressão intraocular elevada e outras condições de saúde também precisam ser observados”, afirma a oftalmologista.
Entre os mitos mais comuns, está a ideia de que o uso excessivo de telas pode causar glaucoma. Segundo a médica, apesar de o hábito provocar desconfortos oculares, não há relação direta com o desenvolvimento da doença. “O uso prolongado de telas pode causar fadiga ocular e ressecamento, mas não provoca glaucoma. Ainda assim, é importante manter hábitos saudáveis e acompanhamento oftalmológico regular”, esclarece.
Tratamento controla, mas não cura
Outro ponto frequentemente confundido é em relação ao tratamento. De acordo com a especialista, o glaucoma não tem cura, mas pode ser controlado de forma eficaz quando diagnosticado precocemente. “O objetivo do tratamento é reduzir a pressão intraocular e impedir ou retardar a progressão da doença, preservando a visão ao longo do tempo”, explica.
Ela reforça ainda que interromper o tratamento por conta própria representa um risco grave. “O glaucoma é uma doença crônica e muitas vezes continua sem sintomas mesmo durante o tratamento. Suspender colírios ou abandonar o acompanhamento médico pode levar à progressão silenciosa da doença e à perda irreversível da visão”, alerta.
Uso indiscriminado de colírios preocupa
A oftalmologista também chama atenção para o uso inadequado de colírios sem orientação médica, especialmente aqueles que contêm corticoides. “O uso indiscriminado pode aumentar a pressão intraocular e até desencadear ou agravar o glaucoma. Além disso, pode mascarar sinais importantes e dificultar o diagnóstico”, ressalta.
Segundo Dra. Letícia, exames simples para atualização do grau dos óculos também não são suficientes para detectar a doença. “O diagnóstico exige uma avaliação oftalmológica completa, com medida da pressão intraocular, análise do nervo óptico, exame de campo visual e, em muitos casos, exames de imagem”, explica.
Para a especialista, a principal ferramenta contra a cegueira causada pelo glaucoma continua sendo a informação aliada ao acompanhamento regular. “Quando diagnosticado precocemente e tratado adequadamente, é possível evitar ou minimizar significativamente a perda visual. O glaucoma exige vigilância contínua. Mais do que tratar, é fundamental diagnosticar cedo e acompanhar regularmente”, conclui.
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Fonte: News Rondônia

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