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Brasileiro adotado por holandeses retorna em busca de raízes

Aos 4 anos, Carlos Hogendorp deixou o Brasil e o interior de São Paulo para viver em Leeuwarden, na Holanda, após ser adotado ao lado de dois irmãos. Três décadas depois, o hoje policial de 31 anos que também atua como cantor sob o nome artístico Osmin Carlson realiza uma jornada de redescoberta que chama de “volta para casa”. Em visita ao país, ele utiliza sua história pessoal para palestrar sobre a importância de garantir proteção e apoio à infância em situação de vulnerabilidade.
A trajetória de Carlos foi marcada por uma adaptação cultural intensa. O primeiro vínculo emocional com o Brasil surgiu em 1998, durante a Copa do Mundo, quando, ainda criança, surpreendeu seus pais adotivos ao torcer fervorosamente pela seleção brasileira. O desejo de compreender sua origem tornou-se um objetivo de vida em 2013, às vésperas do nascimento de sua filha, Viena. Com o auxílio de um programa de televisão holandês, ele conseguiu localizar sua mãe biológica e seus outros 16 irmãos em Leme.
Choque de realidade e missão social
O reencontro com as origens trouxe um impacto profundo. Ao visitar os locais onde cresceu e conhecer a situação de crianças em abrigos, Carlos viu sua própria história refletida na realidade de jovens em extrema vulnerabilidade. O policial, que durante anos sentiu falta do afeto e dos costumes brasileiros, transformou seu testemunho em uma causa: incentivar a adoção por famílias brasileiras, defendendo que as crianças tenham a oportunidade de crescer em seu país de origem.
Carlos atua como voluntário na promoção do apadrinhamento afetivo, mecanismo que permite à sociedade civil apoiar menores em instituições de acolhimento que possuem poucas chances de retorno às famílias biológicas. Para ele, o esforço em conhecer o passado é fundamental para a construção da identidade. “O brasileiro nunca vai embora de você”, afirma, ressaltando que muitos adotados no exterior carregam o silêncio e a saudade de uma terra que mal conheceram.
Segurança e futuro
Apesar de ter construído uma carreira estável na Holanda, onde atua em uma corporação policial que prioriza a mediação sem o uso de armas, Carlos alimenta o sonho de retornar ao Brasil para viver e trabalhar. Ele enxerga seu papel atual como uma ponte entre diferentes culturas e um defensor do direito de toda criança a uma infância bem tratada. “Foi uma grande batalha para mim não conhecer nossas raízes”, conclui, reforçando que, mesmo tendo recebido muito amor de sua família holandesa, a conexão com o berço brasileiro é uma parte essencial de quem ele se tornou.
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Fonte: News Rondônia

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