Ao exibir “Narcos” e “El Chapo”, a “Netflix” expõe a constante corrupção instalada em alguns países, e provoca seriíssimos questionamentos. Primeiro, qual é o seu preço? A produtora televisiva mostra que do pobre ao milionário, do desconhecido transeunte ao cidadão mais graduado, todos podem ser corrompidos por quem oferecer mais dinheiro. Neste lamaçal corruptor, pode-se confiar nos políticos? O roteiro mostra que quando eles são eleitos, conchavos pessoais e partidários descartam as prioridades que melhorariam a vida do povo. E em época de eleições, a desinformação e a mentira nas redes sociais incentivam o ódio ao oponente e maquiam os meios para a compra de votos. Tal corrupção midiática promove guerras entre famílias, partidos políticos e nações.
Tem mais: se de um lado estão os “fora da lei” e do outro os “mocinhos“, como nos filmes, as estratégias são diferentes? Essas duas obras televisivas revelam que os métodos usados pelos personagens para se obter uma informação ou o convencimento são semelhantes, passando pela perseguição, escuta, sequestro, ameaça, tortura e morte. Isto porque conseguir tais dados muda as regras do jogo/guerra, incluindo aqui outra questão: há intervenções estrangeiras? A aldeia global de McLuhan nos últimos 60 anos interconectou não somente pessoas, mas também crimes contra o Estado Democrático de Direito. O câncer se espalhou. Ou seja, o que se planta num país é consumido noutro – quer seja soja ou coca, milho ou maconha. Daí “mocinhos” galopam internacionalmente para combater o consumo das drogas, mesmo correndo o risco de igualmente serem corrompidos, como mostram as séries.
Mas então, por que o povo mais evangélico do planeta e o maior país católico do mundo consomem tanta droga? A resposta é complexa e envolve variados fatores. Um deles é que nas últimas décadas a religiosidade norte-americana e brasileira se distanciou dos ideais de Jesus. Nas megaigrejas e nos minúsculos templos; nas denominações centenárias e na mais nova invenção pós-pentecostal – com raras exceções – não se tem ensinado sobre o Nazareno, e sim sobre a riqueza pessoal e o ódio a quem pensa e é diferente. Não se discute mais como a igreja deve agir contra as injustiças sociais, e sim como aliar-se a partidos políticos. O problema é que, para quem não possui milhões de dólares, como certos pastores, uma opção atraente é o uso de narcóticos. Então aqui alguém perguntará: o dinheiro conseguido com as drogas gera felicidade? Baseadas em fatos reais, as duas séries citadas mostram a infelicidade dos envolvidos e de suas famílias nessa ilicitude, bem como dos “mocinhos” corrompidos. Casas, aviões, dólares, carros blindados, ouro e fuzis de nada servem, pois vivem na insegurança constante, como fugitivos que a qualquer momento serão traídos por quem aceitou nova corrupção nas ruas ou nos gabinetes. E tal ausência de paz é imposta às novas gerações.
Há outros questionamentos, mas agora levanto mais um. Nos dois seriados, os homens “bandidos e mocinhos” estão em destaque. Têm armas, dirigem velozes veículos, travam batalhas, impõem seus interesses, dominam a vida e o desenrolar da história. Mas, no meio dessa guerra, onde estão as mulheres? Nas séries, elas são mães, irmãs, esposas, filhas, putas, trabalhadoras, estudantes e algumas até estão no alto escalão do governo. Porém, não são protagonistas de sua existência. São acidentais, figurantes, en passant. São adicionadas às vidas dos homens que as exploram e descartam, inclusive com todas as formas de violência. Afinal, no mote que costura todo o enredo, o que eles querem é o poder e para tê-lo, vivem e matam – alguns com muita religiosidade – ignorando Jesus, a cura do terrível câncer da corrupção.
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Fonte: News Rondônia