A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou o surto de ebola que atinge a República Democrática do Congo (RDCongo) e Uganda como uma Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional. O anúncio reflete o segundo nível mais elevado de alerta da agência e foi motivado pela rápida velocidade de propagação do vírus Bundibugyo, uma linhagem que possui taxa de mortalidade estimada em até 40% e que não conta com tratamentos ou vacinas específicas aprovadas.
O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, manifestou profunda preocupação com a escala do surto e convocou o Comitê de Emergência para formular recomendações temporárias aos Estados-membros. O painel de especialistas da organização se reúne para avaliar se a vacina Ervebo, desenvolvida originalmente contra a estirpe Ebola Zaire, pode ser utilizada em caráter emergencial, uma vez que demonstrou conferir alguma proteção em testes laboratoriais com animais.
Avanço geográfico e mortes notificadas
O balanço oficial mais recente, apresentado pelo Ministério da Saúde da RDCongo, aponta que o surto já provocou pelo menos 131 mortes e acumula 513 casos suspeitos. Autoridades de saúde locais confirmaram que o vírus expandiu seu raio de alcance e passou a registrar notificações em áreas geográficas mais vastas do leste do país, incluindo localidades estratégicas como Nyakunde, na província de Ituri, Butembo e a cidade de Goma.
Em Uganda, os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos confirmaram uma morte e dois casos positivos. Apesar do avanço territorial da doença, a OMS esclareceu que a crise sanitária na província de Ituri cumpre os requisitos para o alerta internacional, mas não preenche os critérios técnicos para ser classificada como uma pandemia global. A agência alertou, no entanto, que o número real de infectados pode ser muito maior.
Medidas de controle e restrições transfronteiriças
Diante da ausência de medicamentos antivirais consolidados, o Centro de Controle e Prevenção de Doenças de África (Africa CDC) reforçou a importância do cumprimento rigoroso de protocolos de saúde pública. As orientações focam especialmente na gestão de funerais comunitários e rituais de sepultamento que envolvam o contato com os corpos de vítimas, uma prática tradicional que historicamente potencializou o contágio em surtos anteriores no continente.
A OMS recomendou formalmente que os governos da RDCongo e de Uganda estabeleçam barreiras sanitárias e exames de rastreio ao longo de suas divisas territoriais. Países vizinhos começaram a reagir preventivamente; o governo de Ruanda confirmou a intensificação da vigilância médica em sua região fronteiriça, enquanto as autoridades sanitárias da Nigéria informaram que monitoram o cenário epidemiológico para evitar a importação do vírus.
Evacuação médica e resposta nos Estados Unidos
Entre os diagnósticos confirmados na RDCongo está o de um médico norte-americano, identificado como Peter Stafford, que atuava em uma organização missionária local. Ele será transferido para a Alemanha para receber suporte hospitalar especializado. Outros profissionais expostos ao vírus, incluindo a esposa de Stafford, permanecem assintomáticos e cumprem isolamento preventivo em conformidade com os regulamentos de quarentena.
Os Estados Unidos elevaram o alerta de viagem para o nível máximo, desaconselhando deslocamentos para o território congolês, e implementaram medidas de triagem para passageiros procedentes da África Central. O governo norte-americano determinou a restrição de entrada no país para cidadãos estrangeiros que tenham visitado a RDCongo, Uganda ou o Sudão do Sul nos últimos 21 dias, período que compreende o ciclo de incubação do vírus ebola.
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Fonte: News Rondônia