Por Franscico Xavier Gomes
CACOAL: A PRÉ-CAMPANHA, A SAÚDE E OS VEREADORES…
A Câmara Municipal de Cacoal precisa, com alguma urgência, realizar um cursinho com os vereadores para que eles aprendam suas atribuições. É uma situação vexatória assistir às sessões da Casa de Leis de Cacoal e constatar tanta falta de preparo. Entre as situações mais bizarras, estão as constantes citações que diversos edis fazem e declaram que vereadores não podem fiscalizar órgãos da estrutura do estado. Esse tipo de argumento pode até ser aceito, caso parta de vereadores de municípios que não possuem acesso às informações, que não possuem internet, que não possuem celular… Ninguém sabe de onde os vereadores de Cacoal tiraram a ideia de que eles não podem fiscalizar as unidades de saúde estaduais instaladas na Capital do Café. Esse tipo de situação revela uma falta de preparo escandalosa sobre as atribuições do mandato e a ausência de pessoas que efetivamente representem os interesses da sociedade. Ouvir declarações dessa natureza, de vereadores que vivem em um município de 100 habitantes, causa desânimo e mostra que eles nunca leram a legislação municipal, estadual e federal. Além de ser um dos municípios mais importantes da Amazônia brasileira, Cacoal é considerado o Polo 2 de saúde do estado de Rondônia. É realmente uma pena que nossos vereadores não saibam disso…
Durante a sessão ordinária realizada na última segunda-feira, a vereadora Amália Milani subiu à tribuna da Câmara de Cacoal para denunciar o descaso com que o estado de Rondônia trata os pacientes atendidos no Polo 2 de saúde em Cacoal. A vereadora teve, inclusive, o cuidado de destacar que o descaso não acontece por causa dos técnicos, enfermeiros, médicos e outros profissionais que atuam no HEURO de Cacoal, e ela tem muita razão nisso. Todas as pessoas que trabalham no HEURO e também no Hospital Regional de Cacoal trabalham com muita dedicação e carinho. O problema, o grande problema, é que o governo estadual faz tudo que pode para dificultar o atendimento das pessoas, porque não há um número suficiente de servidores, faltam equipamentos, faltam novos investimentos e falta, por parte do governo estadual, o mínimo de respeito pelas pessoas que precisam de atendimento. A conduta da vereadora em visitar as unidades de saúde, conversar com pacientes, ouvir os relatos e denunciar o descaso merece elogios da população e deveria contar com o apoio de todos os demais vereadores. É uma vergonha ver tanta gente sofrendo com a falta de atendimento e com o descaso do governo, e ainda aparecer vereadores que não aceitam as denúncias, como é o caso do vereador Cleber Diniz. Ainda bem que todas as vezes que sobe à tribuna ele diz que não sabe o que vai falar. E não sabe mesmo…
Não dá para dizer que o vereador Cleber Diniz é desonesto, porque ele fala, com muita clareza, que não sabe o que deve dizer na tribuna da Casa de Leis. Desonesto não é, mas precisa, com muita urgência, procurar entender para que serve um mandato de vereador. Os vereadores são eleitos para defender os interesses da sociedade e podem fiscalizar todos os órgãos públicos instalados no território do município. Podem não; devem fiscalizar! É evidente que não devem partir deles as soluções, mas o dever de fiscalizar e cobrar tem que ser cumprido. Claro que isso não tira dos deputados estaduais o dever de fazer a mesma fiscalização e exigir as soluções, mas dizer que vereadores não podem fiscalizar hospitais estaduais é pura desinformação. O que os vereadores não podem, e não devem fazer, é entrar nos hospitais sem a autorização dos diretores, invadir salas restritas, filmar pacientes, administrar medicações. Isso eles não podem! Mas entrar nos hospitais, conversar com os pacientes, conversar com diretores e funcionários faz parte das atribuições dos vereadores. Não é possível que somente a vereadora Amália Milani saiba disso. Mas é necessário registrar que a atuação dela é correta, merece elogios e deve continuar, mesmo que o vereador Cleber Diniz e outros edis não aceitem isso. Qualquer pessoa pode entrar num hospital e denunciar os descasos, nem precisa ter mandato para isso. Aliás, é muito estranho que pessoas com mandato não saibam disso e que tentem agir como se o mandato de vereador se limitasse a puxar saco de deputados, prefeitos, ex-prefeitos, governador e outros agentes políticos. Isso é uma vergonha!!!
Outro argumento muito frágil usado pelo vereador Cleber Diniz é quando ele diz que não aceita a fiscalização de colegas no HEURO, neste período de pré-campanha, declarando que somente agora alguns colegas descobriram o endereço dos hospitais. Isso não faz sentido! Primeiro, porque não é verdade. Diversos vereadores de Cacoal, entre eles Amália Milani, frequentam, sim, os hospitais. Segundo, porque o período de pré-campanha não é motivo para os políticos fecharem os olhos e deixar que centenas ou milhares de pacientes sejam tratados com tamanho descaso, apenas para agradar projetos eleitorais de amigos dos vereadores. Os vereadores de Cacoal têm todo o direito de escolher Marcos Rocha ou quem eles quiserem como político de preferência e abandonar os pacientes que precisam de atendimento. Mas dizer que esse governo algum dia teve respeito pelos pacientes não é verdade. Ainda bem que a população de Cacoal elegeu a vereadora Amália, porque ela sabe que os hospitais estaduais podem ser fiscalizados pelos vereadores. Quanto aos demais, se não querem ter o trabalho de exercer o mandato, não pode atrapalhar os que querem. Os hospitais devem ser fiscalizados por vereadores, deputados, Ministério Público, cidadãos comuns e todas as demais pessoas e autoridades que não tentam fazer da pré-campanha um escudo para esconder o descaso com a saúde pública, porque os pacientes merecem respeito… Tenho dito!!!
FRANCISCO XAVIER GOMES – Professor, Jornalista e Advogado
Fonte: Tribuna Popular