A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, chegou à Holanda para participar de uma audiência na Corte Internacional de Justiça sobre a disputa territorial envolvendo a região de Essequibo, área rica em petróleo e recursos naturais reivindicada pela Venezuela e administrada pela Guiana.
A audiência ocorre nesta segunda-feira no principal órgão judicial da Organização das Nações Unidas e integra um processo aberto pela Guiana em 2018. O país busca validar oficialmente a decisão arbitral de 1899, que definiu a fronteira atual e garantiu o território à então Guiana Britânica.
Já a Venezuela sustenta que o acordo de 1899 foi fraudulento e defende que a disputa deve ser resolvida com base no Acordo de Genebra de 1966, firmado antes da independência da Guiana. O território de Essequibo corresponde a cerca de dois terços do território guianense e ganhou relevância estratégica após descobertas de grandes reservas de petróleo offshore nos últimos anos.
Esta é a primeira viagem de Delcy Rodríguez à Europa desde que assumiu o comando do governo venezuelano após a captura do ex-presidente Nicolás Maduro em uma operação militar realizada pelos Estados Unidos no início deste ano. Antes disso, Rodríguez enfrentava restrições de entrada impostas pela União Europeia sob acusações de enfraquecimento da democracia venezuelana.
Apesar de participar da audiência, o governo venezuelano mantém a posição de que não reconhece plenamente a jurisdição da Corte Internacional de Justiça sobre o caso. Ainda assim, Caracas decidiu comparecer às sessões para defender sua reivindicação histórica sobre o Essequibo.
A decisão final da Corte ainda deve levar alguns meses. Embora as sentenças do tribunal sejam vinculativas e sem possibilidade de recurso, a aplicação prática depende do Conselho de Segurança da ONU, o que pode ampliar as tensões diplomáticas na região.
A disputa pelo Essequibo voltou a ganhar força nos últimos anos devido ao potencial econômico da região, considerada estratégica por concentrar reservas de petróleo, ouro, diamantes e madeira. O impasse também elevou a tensão política entre Venezuela e Guiana, mobilizando organismos internacionais e governos da América do Sul.
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Fonte: News Rondônia