O Exército Brasileiro iniciou uma nova fase de modernização estratégica ao definir que cerca de 20% de suas tropas deverão permanecer em elevado estado de prontidão. A medida faz parte de um plano de transformação militar voltado aos desafios dos conflitos modernos e ao aumento das tensões geopolíticas internacionais.
Entre as 25 brigadas atualmente em operação no país, cinco foram selecionadas para atuar com capacidade de resposta imediata em possíveis cenários de crise ou ameaças à soberania nacional. As unidades escolhidas são a Brigada Paraquedista, no Rio de Janeiro; a Brigada Aeromóvel, em Caçapava (SP); a Brigada de Infantaria de Selva, em Marabá (PA); a Brigada de Infantaria Mecanizada, em Campinas (SP); e a Brigada de Cavalaria Blindada, em Ponta Grossa (PR).
A mudança faz parte da chamada Política de Transformação do Exército, documento estratégico que projeta a evolução da força terrestre brasileira até 2040. O objetivo é ampliar a capacidade de mobilização rápida, fortalecer a defesa nacional e adaptar as tropas ao cenário das chamadas “guerras do futuro”, marcadas pelo uso intensivo de drones, inteligência artificial, sensores e sistemas autônomos.
O plano prevê ainda reorganização operacional das tropas em diferentes categorias de emprego, incluindo forças de resposta imediata, unidades de sustentação prolongada e grupos especializados em guerra multidomínio, que envolve operações cibernéticas, defesa antiaérea, guerra eletrônica e uso avançado de tecnologia militar.
Entre os principais projetos está a ampliação do uso de drones para vigilância, reconhecimento e coleta de informações em tempo real. Sistemas autônomos integrados devem reduzir riscos aos militares em campo e aumentar a eficiência operacional em situações de conflito.
Outro eixo estratégico citado no planejamento é o fortalecimento do sistema ASTROS-FOGOS, responsável por integrar recursos de artilharia e foguetes de longo alcance. A proposta busca melhorar a coordenação de operações militares e ampliar o poder de dissuasão do país diante de ameaças externas.
O Exército também destaca preocupação crescente com a proteção de recursos naturais, combate ao crime organizado transnacional e defesa de áreas estratégicas da Amazônia. O novo cenário internacional, marcado por conflitos regionais e corrida tecnológica militar, impulsionou a necessidade de revisão das capacidades defensivas brasileiras.
Apesar do aumento da prontidão militar, não há qualquer confirmação oficial sobre participação do Brasil em uma “guerra mundial”. Especialistas apontam que a medida faz parte de um processo de atualização estratégica semelhante ao adotado por outros países diante da transformação dos conflitos contemporâneos.
Segundo estimativas citadas em análises sobre o plano, a modernização completa da força terrestre poderá exigir investimentos bilionários até 2040, incluindo renovação de equipamentos, treinamento tecnológico e fortalecimento da indústria nacional de defesa.
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Fonte: News Rondônia