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30 DE ABRIL: o dia em que nasceu o último bandeirante da paz

Falar de Cândido Mariano da Silva Rondon é evocar uma das figuras mais singulares da história nacional, um homem que, em meio ao avanço territorial do Brasil, escolheu o caminho da humanidade quando muitos optavam pela força.

Nascido em 30 de abril de 1865, conforme registra a obra “Fé de Ofício”, do historiador e escritor Lourismar Barroso, Rondon veio ao mundo em Sesmaria do Morro Redondo, localidade que posteriormente passou a ser chamada de Mimoso. O nome “Mimoso”, aliás, tem origem em uma espécie de grama rasteira típica do Pantanal. Essa região pertence ao distrito de Santo Antônio do Leverger, vinculado ao município de Barão de Melgaço.
Inclusive meu interesse pela vida e pela trajetória de Rondon ganhou um significado ainda mais profundo quando, em Manaus, tive a oportunidade de conhecer pessoalmente seu neto, o Coronel Rondon, filho de Benjamim Rondon. Aquele encontro não foi apenas um momento de aproximação com a história, mas um elo vivo com o legado de um dos maiores brasileiros de todos os tempos.
No início do século XX, enquanto o país buscava consolidar suas fronteiras e integrar regiões isoladas, Rondon liderou expedições que atravessaram o coração da Amazônia e do Centro-Oeste. À frente da Comissão Rondon, ele não apenas instalou linhas telegráficas que conectaram o Brasil profundo ao restante da nação, mas também estabeleceu um novo paradigma de contato com os povos indígenas.
Seu lema “Morrer, se preciso for; matar, nunca” não era retórico. Era prática. Em uma época marcada por conflitos e violência contra populações originárias, Rondon defendeu o respeito, o diálogo e a proteção. Foi um dos principais idealizadores do Serviço de Proteção aos Índios, instituição pioneira que buscava garantir direitos e dignidade aos povos indígenas, ainda que, ao longo do tempo, tenha enfrentado suas próprias contradições.

Chamá-lo de “o último bandeirante” é reconhecer sua capacidade de desbravar territórios desconhecidos, mas com uma diferença fundamental: enquanto os bandeirantes históricos avançavam pela conquista e pela exploração, Rondon avançava pela integração e pela preservação. Seu projeto não era de dominação, mas de humanização.

Rondon também desempenhou papel crucial na consolidação das fronteiras brasileiras, especialmente em regiões estratégicas da Amazônia. Sua atuação foi determinante para afirmar a soberania nacional em áreas remotas, onde o Estado ainda era apenas uma ideia distante. Nesse sentido, ele foi tanto um construtor de caminhos físicos quanto simbólicos, ajudando a moldar a identidade territorial do Brasil.

Reconhecido internacionalmente, chegou a ser indicado três vezes ao Prêmio Nobel da Paz, não apenas por suas ações no Brasil, mas por representar um ideal raro: o de progresso aliado ao respeito à vida.
Assim, ao olhar para o legado de Rondon, não vemos apenas um militar ou explorador, mas um humanista. Um homem que compreendeu que expandir fronteiras não deveria significar apagar culturas, e que o verdadeiro heroísmo está na capacidade de proteger, unir e respeitar.
Ele foi, sem dúvida, um herói do século XX mas, mais do que isso, permanece como uma referência ética para o presente e o futuro do Brasil.
Prof. Dr. Lourismar Barroso
Historiador/Escritor

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Fonte: News Rondônia

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