O Brasil ultrapassou os EUA em liberdade de imprensa pela primeira vez, alcançando a 52ª posição no ranking global divulgado pela organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF).
O resultado representa um avanço significativo. Desde 2022, o Brasil subiu 58 posições e, apenas no último ano, ganhou 11 colocações. Com isso, passou à frente dos Estados Unidos, que aparecem na 64ª posição no levantamento mais recente.
Segundo a RSF, a melhora brasileira ocorre em um cenário global de deterioração da liberdade de imprensa. A maioria dos países enfrenta aumento de pressões sobre jornalistas, o que torna o avanço do Brasil um caso considerado fora da curva.
Entre os fatores apontados para a evolução estão a redução de ataques institucionais contra a imprensa e a retomada de uma relação mais estável entre governo e jornalistas. O país também não registra assassinatos de profissionais da área desde 2022, após um histórico de 35 casos entre 2010 e aquele ano.
Outro ponto destacado é o fortalecimento de mecanismos de proteção ao jornalismo. Iniciativas como a criação de observatórios de violência contra jornalistas e medidas voltadas ao combate à desinformação contribuíram para a melhora no ambiente profissional.
Apesar do avanço, ainda há desafios. O relatório aponta pressões como processos judiciais abusivos e campanhas de desinformação, além de queda em indicadores ligados à confiança da população na imprensa e à pluralidade de opiniões.
No cenário internacional, os Estados Unidos são citados como exemplo de deterioração recente, com queda no ranking associada a ataques recorrentes à imprensa e aumento da polarização política. Esse movimento, segundo o relatório, influencia práticas semelhantes em outros países.
Na América do Sul, o Brasil aparece atrás apenas do Uruguai, que ocupa a 48ª posição. Já países como Argentina, Peru e Equador registraram quedas significativas, muitas delas relacionadas à violência contra jornalistas e ao avanço do crime organizado.
O relatório também destaca que, pela primeira vez, mais da metade dos países do mundo apresenta situação considerada difícil ou grave para o exercício do jornalismo. A pontuação média global nunca foi tão baixa desde a criação do ranking.
O avanço brasileiro ocorre, portanto, em um contexto internacional adverso, reforçando a importância de políticas públicas, proteção institucional e garantia de liberdade de expressão para o fortalecimento da democracia.
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Fonte: News Rondônia