O acesso facilitado à informação nas redes sociais transformou o cuidado com a pele em um dos temas mais populares da internet. Rotinas de “skincare”, receitas caseiras e indicações de produtos viralizam diariamente, prometendo resultados rápidos e acessíveis. No entanto, por trás dessa tendência, especialistas acendem um alerta: nem tudo o que circula online é seguro.
De acordo com a médica e docente do curso de pós-graduação em Dermatologia da Afya Educação Médica Porto Velho, Ana Paula Barancelli Hamud, o principal risco está na falta de individualização e de embasamento científico nas recomendações. “As redes sociais ampliaram o acesso à informação, mas muitas dessas orientações não consideram as características de cada pele. O que funciona para uma pessoa pode causar irritação, alergia ou até agravar doenças dermatológicas em outra”, explica.
Entre os erros mais comuns estão o uso indiscriminado de ácidos, o excesso de produtos, conhecido como “over skincare”, e a adoção de receitas caseiras sem comprovação científica.
Natural não é sinônimo de seguro
Outro ponto que preocupa é a crença de que produtos naturais são sempre inofensivos. Segundo a especialista, essa ideia pode levar a danos importantes na pele. “O uso de substâncias como limão, vinagre, bicarbonato ou óleos essenciais pode causar irritações e até lesões. Um exemplo clássico é a fitofotodermatose, provocada pelo limão em contato com o sol, que pode gerar manchas escuras”, alerta.
A mistura de ativos sem orientação também é um dos principais fatores de risco. Combinações inadequadas podem comprometer a barreira de proteção da pele e desencadear uma série de reações adversas. “A associação de ácidos com retinoides ou o uso de múltiplos esfoliantes pode causar descamação intensa, sensibilidade e até efeito rebote, como piora da acne. Muitas vezes, o excesso de cuidado acaba fragilizando a pele”, destaca.
Em estados como Rondônia, o clima quente e úmido agrava ainda mais esse cenário. A combinação de calor, transpiração e umidade pode intensificar a absorção de substâncias e aumentar o risco de irritações. “O ambiente influencia diretamente na resposta da pele. Aqui, produtos inadequados tendem a causar reações mais intensas, além de favorecer quadros como acne e infecções cutâneas”, explica.
Sinais de alerta
Reconhecer precocemente quando a pele está reagindo mal é essencial para evitar complicações. Entre os principais sinais estão vermelhidão persistente, ardência, coceira, descamação excessiva e surgimento de manchas. “Ao perceber qualquer reação, o ideal é suspender o uso imediatamente. Se os sintomas persistirem, é fundamental buscar avaliação médica”, orienta.
Apesar da popularização do tema, especialistas reforçam que o cuidado com a pele deve ser guiado por orientação profissional, levando em conta as características individuais de cada paciente. “O skincare não deve seguir modismos. Ele precisa ser personalizado, seguro e baseado em evidências. A internet pode informar, mas não substitui a avaliação médica”, conclui.
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Fonte: News Rondônia