Ainda não foi confirmada, mas a greve que atinge cinco universidades da Região Norte, e que possivelmente poderá ser aderida pela Unir não é vista com bons olhos por muitos estudantes: “Cansaço e desmotivação já refletem uma realidade marcada por estudos pouco expressivos e pela presença limitada de professores em sala de aula.”
No Brasil, 50 das 69 universidades federais estão em greve geral ou parcial nos setores administrativos desde o dia 15 deste mês. Os grevistas têm ido a campo usando a bandeira estudantil e, segundo as solicitações da categoria, a paralisação ocorre por “igualdade salarial e melhores condições de trabalho para os servidores”.
As universidades federais em greve reúnem cerca de aproximadamente 1 milhão de estudantes. A paralisação começou oficialmente no dia 9 de abril, com adesão de estudantes a partir do dia 15. Analistas ouvidos pela reportagem indicam que uma greve em período eleitoral implica, principalmente, em consequências graves para o já deteriorado sistema educacional dentro dos campus universitários. Para esse grupo, uma paralisação amplia desafios acadêmicos e compromete ainda mais uma rotina já considerada árdua, marcada por disciplinas em que, segundo relatos, a presença do professor em sala de aula é quase turística.
Para estudantes ouvidos, a pauta, que deveria contemplar melhorias para os professores dentro dos campi, também expõe um cenário estudantil que, em alguns casos, acaba se distanciando do verdadeiro significado do apoio à mobilização. Isso ocorre quando parte do movimento passa a se conectar a demandas que, no cotidiano, geram impactos negativos à própria comunidade acadêmica. “Nos campi, há toda a liberdade, inclusive para fortalecer currículos e aproveitar oportunidades de transferência e até desligamento, enquanto se usufrui dos benefícios que o próprio sistema oferece”, pontua uma pedagoga de Rondônia, que preferiu manter o anonimato.
Defasagem acadêmica lidera preocupações e reforça rejeição estudantil à possível greve na UNIR
Embora ainda não haja confirmação oficial, estudantes ouvidos afirmam que, caso a Unir adote a paralisação, o principal temor é a defasagem acadêmica em meio às disciplinas. Para eles, alterações constantes no calendário comprometem o processo de aprendizagem e ampliam a precariedade do ensino dentro da instituição. “Na última greve, aderia no primeiro semestre de 2024 perdemos quase três meses de estudos, o que já é algo sufocante para quem faz o percurso da universidade todos os dias, tendo que driblar problemas internos. Sabemos que a greve é um direito, mas tudo precisa ter limite e, principalmente, respeito aos estudantes que saem de casa, de seus municípios e até de outros estados para chegar a Rondônia e se deparar com esse sistema constante de paralisações, em que o prejudicado é sempre o aluno.”
Ainda segundo os estudantes, a principal cobrança está relacionada ao modelo de ensino atualmente aplicado dentro da universidade. “Precisamos, sim, lutar por direitos que impactem diretamente os estudantes. Na Unir, principalmente, dependemos de uma agenda pessoal em que professores determinam quando haverá ou não aulas, tendo em vista que muitos agem como se fossem donos da instituição. Não são cobrados e muito menos assinam folha já que o controle ocorre por planos de trabalho, distribuição de disciplinas, relatórios e metas acadêmicas. A pergunta é: como alguém afirma que uma greve é por melhoria e condições de trabalho se faltam justamente nos dias em que deveriam estar em sala de aula?”
Por fim, os estudantes reforçam seu posicionamento e indicam que não apoiarão qualquer paralisação, ao menos entre os entrevistados. “Que a greve não chegue a esta universidade aqui no estado, porque não contará com o meu apoio. Os demais alunos, que muitas vezes são usados para essas implicações alheias, também deveriam não se envolver em uma greve de terceiros. Vamos lutar por aquilo que, de fato, tenha propósito para a melhoria do nosso ensino e da estrutura do campus.”
No calendário de adesão à greve nacional, ainda não existe confirmação por parte do Sindicato dos Trabalhadores em Educação da Fundação Universidade Federal de Rondônia. Ao que tudo indica, essa possível paralisação poderá estar sendo articulada para ocorrer após o encerramento do semestre letivo, previsto para o dia 17 de julho.
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Fonte: News Rondônia