O reaparecimento frequente de tartarugas-cabeçudas (Caretta caretta) no interior da Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro, tornou-se objeto de monitoramento intensivo pelo Projeto Aruanã. Embora a espécie possua hábitos predominantemente oceânicos, biólogos e pescadores artesanais documentaram um aumento significativo de avistamentos e entradas em currais de pesca desde julho de 2025. No último dia 18 de abril, dois indivíduos foram marcados em uma ação inédita, abrindo caminho para entender por que esses animais ameaçados de extinção estão permanecendo em águas internas.
A principal hipótese levantada pelos especialistas é a disponibilidade de alimento, como crustáceos, no ecossistema da baía. A bióloga Larissa Araujo, do Projeto Aruanã, explica que as aparições deixaram de ser relatos esporádicos de pescadores para se tornarem registros científicos sistematizados. Para aprofundar o conhecimento sobre as rotas e o tempo de permanência das tartarugas, os pesquisadores preparam uma nova fase de monitoramento que utilizará transmissores via satélite acoplados aos cascos dos animais.
Riscos humanos e resiliência ambiental
Apesar da aparente fartura de alimentos, a Baía de Guanabara impõe sérios desafios à sobrevivência das tartarugas. A bióloga alerta para os perigos da poluição hídrica, ingestão de plásticos e colisões com a intensa frota de embarcações que circula na região. Além disso, a captura acidental em redes de pesca é uma preocupação constante. A coordenação do projeto destaca que a presença dos animais não significa necessariamente uma melhora na despoluição, mas evidencia a resiliência da biodiversidade local diante dos impactos humanos.
A parceria com as comunidades pesqueiras tem sido fundamental para o sucesso do monitoramento. Pescadores e moradores locais atuam como informantes, comunicando avistamentos e permitindo que equipes especializadas realizem exames de saúde e biometria antes da soltura dos animais. O interesse público pelo tema cresceu após o caso da tartaruga Jorge, um macho reabilitado na Argentina que, em 2025, surpreendeu a comunidade científica ao escolher a Baía de Guanabara como refúgio após décadas em cativeiro.
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Fonte: News Rondônia