O diretor da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), Jarbas Barbosa, alertou nesta quinta-feira (23) que o retorno do sarampo às Américas representa um retrocesso crítico para a saúde pública regional. Durante coletiva de imprensa, Barbosa enfatizou que o principal desafio não é a falta de vacinas, mas a dificuldade em alcançar populações não imunizadas. Segundo o diretor, a combinação de desinformação, falta de percepção de risco e barreiras de acesso tem impedido que os países atinjam a meta de 95% de cobertura vacinal necessária para evitar surtos.
Os dados apresentados pela Opas são alarmantes: em 2025, a região registrou 14.767 casos confirmados em 13 países, um volume 32 vezes maior que no ano anterior. O cenário em 2026 segue em agravamento, com 15,3 mil casos comunicados apenas até o início de abril. México, Guatemala, Estados Unidos e Canadá concentram a maioria das ocorrências. Além do alto contágio, a letalidade da doença preocupa as autoridades: 32 mortes foram registradas em 2025 e 11 óbitos já foram confirmados no primeiro trimestre deste ano.
Situação do Brasil e Vulnerabilidade
Mesmo com o avanço da doença nos países vizinhos, o Brasil mantém, até o momento, o certificado de país livre da circulação endêmica do vírus, conquistado em 2024. No entanto, a vulnerabilidade é real. Em 2026, até meados de março, o país já confirmou dois casos importados (em São Paulo e Rio de Janeiro), ambos em pessoas não vacinadas. Jarbas Barbosa lembrou que a região das Américas já eliminou o sarampo duas vezes no passado e que recuperar esse status exigirá um compromisso político sustentável e investimentos pesados em vigilância.
“Quando a cobertura da vacina cai, o vírus volta. É simples assim. O sarampo é uma das doenças mais infecciosas conhecidas”, alertou o diretor da Opas, reforçando que um único caso pode gerar um surto em larga escala.
Gravidade da Doença e Prevenção
O sarampo é transmitido por via aérea e pode causar complicações graves, como cegueira, pneumonia e encefalite. Os sintomas iniciais incluem febre alta, tosse, coriza e manchas vermelhas que começam no rosto e se espalham pelo corpo. O Ministério da Saúde e a Opas reforçam que a vacinação pelo SUS é a única forma eficaz de prevenção. O esquema básico consiste na primeira dose da tríplice viral aos 12 meses e a segunda aos 15 meses de idade. Adultos de até 59 anos que não possuem comprovante de imunização também devem procurar as unidades de saúde para atualizar a caderneta.
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Fonte: News Rondônia